A estadia do Papa Francisco entre nós, para participar da Jornada Mundial da Juventude, mostrou ao Brasil e ao mundo que a fé, alheia a argumentos da razão, está presente na vida de não poucos, principalmente jovens; jovens muitas vezes olhados como alienados, descompromissados com a realidade, dotados de atitudes irresponsáveis na visão dos mais velhos. Incompreendidos, são condenados sem julgamento por muitos daqueles que, quando jovens, não obtiveram sucesso em suas reivindicações, mas que fazem parte hoje até mesmo da desordenança política e econômica em que o país se encontra; recentemente – e corajosamente – foram os que deram uma demonstração inequívoca de sua repulsa contra o “status quo” hipócrita de mais uma geração de políticos comprometidos apenas com a manutenção do poder pelo poder. Com reivindicações legítimas “acordaram” um legislativo preguiçoso e um executivo que ainda busca respostas irrespondíveis, há tanto almejadas.

Peregrinos do mundo todo, enfrentando o frio e a chuva inclementes, o desconforto absoluto oferecido pela carência, até, de condições dignas de higiene, permaneceram fieis aos seus ideais enfrentando todas as adversidades com a bravura que apenas jovens determinados podem demonstrar. O líder espiritual que os trouxe até o Rio de Janeiro e Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida teve sua peregrinação recompensada por uma acolhida sem precedentes. Retribuiu – incansavelmente – com humildade, presença marcante e coragem admiráveis, deixando cristalina a reponsabilidade que lhe cabe na reformulação de uma igreja que ao longo dos séculos foi se distanciando de seu rebanho, como S.S. aprecia se referir.

Os discursos de Francisco, de forte conotação pastoral como esperado, não dispensaram em muita de suas entrelinhas recados para ouvidos mais atentos, não moucos. Mensagens que devem ecoar como vibrações para profunda reflexão sobre os dias que vivemos; dias onde os impunes dificilmente serão perdoados, os que menos podem e menos têm merecem um lugar ao sol, os que lançam o olhar para o outro lado diante das agruras de seus semelhantes serão responsabilizados por seus atos.

Palavras são palavras, ações são ações. Como na multiplicação dos pães no início dos tempos, os três milhões de peregrinos e cidadãos de todas as idades e nacionalidades presentes ao ato final em Copacabana levarão para seus redutos uma mensagem multiplicadora de fé e esperança em um futuro melhor.

Foi-se o Papa Francisco. O recado ficou.