A alternância no poder é um dos pilares da democracia. A tendência de partidos e políticos tentarem se perpetuar nos nichos conquistados – não sendo poucos os que também possuem aspirações nebulosas – tem levado sociedades mundo afora a mergulhar em verdadeiros buracos negros.

No cenário brasileiro, a polarização nas disputas entre o estruturado partido governista e a desestruturada oposição é balanceada por uma terceira sigla, aquela com maioria no congresso nacional. Esse fiel da balança tem levado a política brasileira a soar como samba de uma nota só. E por sua importância nas votações que atendam aos anseios do governo federal é agraciada (a sigla) com ministérios influentes dotados de orçamentos bilionários.

Quadro pouco saudável para uma democracia que pretende ser plena. O adágio “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente” tem se evidenciado cristalino no exercício da política em todos os níveis e exemplarmente naquela presente no topo da pirâmide.

A fragilidade dos partidos – que não mais guardam qualquer intimidade com os princípios e ideais para os quais foram criados – transformou nossa politica em um teatro com elenco dirigido para levar o sucesso à bilheteria e seus empresários. Mas a população que recentemente tomou as ruas do país começa a ter consciência de seus direitos com reivindicações justas, as quais, em um primeiro momento, induziram os membros do congresso e governos a correrem atrás do prejuízo. Até mesmo, atabalhoadamente, como no caso da importação de médicos, iniciativa veementemente repudiada pela classe médica brasileira.

A corrupção não é privilégio do universo político verde-amarelo. A impunidade, essa sim, grassa sem qualquer pudor em nosso meio sequer deixando ruborizados os que devem, mas não temem. Afinal, temer o que? São várias as instâncias jurídicas atulhadas de processos de iniciativa do Ministério Público, órgão responsável pela defesa da ordem jurídica e do processo democrático. No entanto, a lerdeza da justiça, seja ela na área cível, criminal ou eleitoral, oferece tranquilidade suficiente aos “malfeitores” para continuarem agindo sob o império da impunidade. Dentro desse contexto, permanece a expectativa de que o resultado final do julgamento do Mensalão possa vir a representar – definitivamente – a abertura de um novo capítulo na História do Brasil.

E assim, vislumbrando a possibilidade concreta de se desenhar um novo panorama a partir do ano que vem, as eleições de outubro poderão nos presentear com um quadro distinto. Distinto, sim, desde que as moscas não sejam as mesmas.