A hipocrisia dita regras não estabelecidas, corrompendo as assinadas com pompa e circunstância. A Organização das Nações Unidas é um lamentável exemplo. Fundada em 1945 após o término da segunda guerra mundial teve como objetivo, entre outros, deter a guerra entre países e fornecer uma plataforma para o diálogo.  Na prática, não atende aos propósitos de quase setenta anos atrás, faz tempo. Verdadeira rainha da Inglaterra.

Recorde-se que a invasão do Iraque (2003) deu-se por obra e graça de Mr. George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos. Invasão não autorizada pela ONU acabou dando no que deu: mais de 190 mil mortos a um custo de 2.2 trilhões de dólares. E o resultado?

Agora, o presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, está prestes a agir militarmente na Síria por conta de ataque químico autorizado pelo governo sírio contra rebeldes insurgentes. Pelo noticiário, a ação deverá ocorrer com ou sem autorização do Congresso Americano e do Conselho de Segurança da ONU. Na marra! Até porque Rússia e China, aliados da Síria, vetariam qualquer moção.

Razões humanitárias são alegadas para por fim ao embate, bárbaro é verdade, mas cujos motivos dificilmente são compreendidos pelos ocidentais. A cultura ocidental é incapaz de compreender, de entender, as razões para os conflitos que, não raro, estão presentes na região há séculos. As disputas internas apenas a eles pertencem e apenas a eles caberia resolver. Os exemplos recentes do Iraque, Líbia, Tunísia, Afeganistão, que sofreram intervenção ocidental, demonstram que apenas mudaram os homens no poder. Os conflitos permanecem, pois suas raízes são milenares e existem desde muito antes de os ocidentais se conhecerem por gente.

Não existem santos em guerras. Guerras não surgem do nada. O estopim é sempre a busca do poder, seja ele econômico, politico, até mesmo religioso. Os meios utilizados na perseguição à vitória, muitos inconfessáveis, são cometidos tanto por vencidos como vencedores, Os pecados capitais dos vencedores se tornam veniais. Os dos vencidos, microscopicamente analisados e severamente condenados. Guerras são sujas, e suas regras – desobedecidas – são julgadas apenas pelos que as ganham.

A retórica belicista respaldada no marketing e propaganda enganosa transforma as pessoas, sua forma de pensar e agir. E ao final, depois de tanto sofrimento e dor, com a paz em andamento, a guerra fica para trás.  Mas não apagada da memória dos que sobrevivem. É a repetição da história.