Em tempos idos, as crianças eram educadas sobre como se comportar diante dos mais velhos, como proceder à mesa durante as refeições, falar com tom de voz adequado às pessoas. Fazia parte da boa formação e a família era tida como a espinha dorsal da sociedade. Professores, considerados mentores dos jovens de então, mereciam o respeito de todos não raro preservando a amizade com muitos de seus alunos por toda uma vida. As falcatruas políticas, menos aparentes, mas sempre presentes, desfrutavam de menos espaço no âmbito das comunidades.

São tempos que não voltam mais. A vida transcorria em uma época onde o controle de quase tudo era mais fácil, o mundo corria mais lento, as populações menores, a tecnologia pouca, a observância de tudo maior. Seriam aqueles tempos melhores de se viver, com mais segurança, mais austeridade, maior contato humano sem tanta violência, condições mais humanas de vida para os menos abonados, mais tempo para se usufruir de uma existência mais autêntica e natural distante da pressão consumista imposta por indústrias várias? Ou, guardadas as devidas proporções, a qualidade de vida nos dias de hoje, como um todo, seria superior à de décadas atrás? A vida em nossos dias se equivaleria à de então com a diferença de que a hipocrisia hoje parece ser menor, maior a autenticidade das pessoas, principalmente dos mais jovens, a educação mais frouxa em todos os sentidos, o respeito pelo próximo quase ignorado?

A resposta só pode ser dada por quem viveu aqueles tempos. E mesmo assim, apenas por aqueles conscientes de que a cabeça daqueles tempos dificilmente estará em sintonia com as dos adolescentes e maduros de hoje. Quem viveu, viu. Quem não viveu terá que aguardar a sua vez mirando na ampulheta do tempo. Ampulheta? Que bicho é esse? poderá você estar se perguntando agora! Mas apenas se não passou pela escola pública daquela época vestindo uniforme de calça/saia azul e blusa branca com as iniciais EP na altura do peito. Escola de qualidade! E mais: que se levantava da “carteira” quando a professora entrava na sala de aula como demonstração de respeito e boa educação (aprendida em casa…). Época em que, também, se dava o lugar no ônibus para senhoras e senhores mais velhos. Mas se você é de 1990 D.C. para cá não terá a mais remota ideia sobre o que está lendo. Não tem importância alguma, pois seu celular deve estar tocando agora para lhe oferecer, virtualmente, aquele app… incrementado.

Agora, se sua DNA está bem preservada, feche os olhos por alguns instantes e faça um replay dos tempos idos. Depois, acorde para cair na real, esboce um sorriso Kolynos e aguarde a Globo lhe alfaBBtizar.