O emprego abusivo da força impera nos quatro cantos do planeta. Na Síria chamam de guerra civil o fratricídio que já contabiliza mais de 100 mil mortos. No Afeganistão civis inocentes morrem diariamente no conflito armado e por erros crassos cometidos, como o da OTAN semana passada, matando doze civis afegãos durante ofensiva contra os Talibãs. O Egito, que até o final da Era Mubarak vinha sendo mantido dentro da ordem pela mão ditatorial de décadas, mergulhou em tumultos diários após a fracassada tentativa de democratização do país. O Oriente Médio mergulha em um barril de pólvora com estopim pronto para ser aceso por árabes ou israelenses.

O país que se considera arauto da democracia – com bases militares em quase o mundo todo – instalou em 2002 uma prisão na Baía de Guantánamo, Cuba, por onde já passaram mais de 700 prisioneiros sem acusação formada, sem processo constituído e, obviamente, sem direito a julgamento. Relatos confirmados de tortura e ausência de quaisquer direitos nos colocam diante uma aberração que em nada difere das atrocidades cometidas pelos bárbaros do norte da Europa em tempos idos.

O vandalismo incrustado nas manifestações pacíficas do Rio de Janeiro e São Paulo através dos conhecidos “Black Blocs”, mentores de protestos anarquistas, está levando a sociedade a se posicionar frente à violência crescente que a todos atinge, por razões perfeitamente identificadas.

Teria a desesperança tomado conta das populações que assistem ao crescimento de crimes hediondos, rotineiros, do consumo de drogas de todos os tipos, do descaso e desconfiança nas instituições? Estaria a dedicação de não poucos voltada a amenizar o sofrimento de milhões de pessoas comprometida pela magnitude da insensibilidade de alguns que simplesmente olham para o outro lado diante das tragédias assistidas ao vivo e a cores?

Segundo a terceira Lei de Newton (Princípio da Ação e Reação) “a cada ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário”.

Populações ainda subjugadas pela opressão, muitas, pela corrupção desenfreada, outras, pela obsessão de governos em se perpetuarem no poder, quase todas, enfrentam o desafio da mudança. Estamos a assistir a reação de sociedades inteiras indo à luta, defendendo seus mais elementares direitos, tentando estabelecer uma nova ordem de convivência. E por fim, parafraseando Mahatma Gandhi : “Você nunca sabe que resultados advirão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados”.

Há que se confiar nos resultados!