Quero crer que a maioria das pessoas comuns não dispõe de muita informação sobre o que se passa no mundo do judiciário. Quero crer, ainda, que a maioria de nós não tem uma imagem muito positiva daquele universo o qual, a julgar-se pelo que lemos e assistimos nos noticiários, não deixa a mais favorável das impressões sobre seu funcionamento e eficiência.

Neste momento, em que os holofotes da imprensa estão voltados para o desdobramento do Mensalão, como é conhecido o processo ainda em julgamento no Superior Tribunal Federal, temas até então de pouco interesse começam a despertar mais atenção.

A prisão de figuras proeminentes da república, como deputados federais e o ex-ministro da Casa Civil do governo federal, trazem à tona questões que começam a ser amplamente discutidas não apenas nos meios jurídico e acadêmico, mas também em fóruns sociais e pela sociedade civil.

A apresentação espontânea dos condenados à Policia Federal após expedidos os mandados de prisão ocorreu sem qualquer incidente dando uma demonstração da civilidade do processo. A fuga do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil para o exterior, ainda mal explicada e um tanto rocambolesca como colocado por parte da imprensa, nos deixa a impressão que a segurança e vigilância dentro de nossas fronteiras para evitar episódios dessa natureza são, no mínimo, falhas.

A julgar por comentários, entrevistas com especialistas da área e imagens divulgadas pela televisão, permanecem em meu intimo questões sobre como funciona, de fato, o “modus operandi” a partir da captura e expedição de um mandado de prisão até sua efetiva consumação. Seria ele equânime tanto para ladrões de galinha como para poderosos como no caso a que estamos assistindo? Seriam os cuidados e a atenção dedicada aos ora presos, visando seu bem estar, e sob o olhar critico da imprensa e opinião pública quanto a localização prévia à estada final para cumprimento das penas idênticas aos de presos comuns durante todo um processo? Seria a alimentação fornecida aos mortais que cumprem suas penas em prisões superlotadas tão rica como aquela servida para os prisioneiros de agora e divulgada em determinado momento pela reportagem da televisão? Tudo isto e mais um pouco cai como uma luva dentro do recente comentário do Ministro do STF e julgador do Mensalão, Marco Aurélio de Mello: “Precisamos compreender a angústia de quem está condenado. É natural à pessoa tentar escapar da prisão, principalmente conhecendo as condições desumanas das nossas penitenciárias”.

Que se discuta, já, sobre o triste sistema prisional brasileiro.

Afinal, somos ou não uma sociedade civilizada?