Solidariedade é um sentimento conhecido e reconhecido pela maioria das pessoas diante de infortúnios, desgraças, tragédias. Essa manifestação, tão comum em acontecimentos que não raro transformam o rumo da vida de tantas pessoas – às vezes de maneira irreversível -, deixa marcas indeléveis naqueles tocados pelo gesto. E não são poucos os protagonistas anônimos perdidos na multidão.

Causa-me forte impressão situações em que pessoas que sequer conhecemos se abrem, se expõem sem qualquer receio, descortinam aspectos até íntimos de suas vidas, simplesmente quando recebem um pouco de atenção. Momentos em que nossa anatomia exerce sua melhor função – eis que possuímos dois ouvidos e apenas uma boca. Não há quem não queira dividir com alguém suas angústias e histórias. Ser solidário com solitários requer uma vida marcada por atitudes que levem à confiança até de desconhecidos. A solidão de imensa parcela da população, de amigos, familiares, conhecidos, pode estar mascarada através de olhares e gestos que transformam pessoas comuns em excelentes atores e atrizes.

Nesta época de festas de Natal e Ano Novo são muitos os solitários. Em contrapartida, são muitos, também, os que voluntariamente se dispõem a amenizar um pouco o sofrimento dos que enfrentam as datas solitários, internados em hospitais, sós em suas casas, longe de familiares por inúmeras razões, relegados ao esquecimento.

Aqueles lembrados – certamente privilegiados – ainda que vítimas das circunstâncias vivem uma das sensações mais profundas, que nos levam a acreditar que existe mais trigo que joio na vida de todos nós. Estou certo de que a alegria – ainda que silenciosa – sentida por esses afortunados, só não é maior do que aquela sentida por todos que se manifestam. Acredito piamente que estejamos mais protegidos e cercados pela solidariedade do que imaginamos. Apresente-se o momento e lá estará ela de plantão, gratuitamente, sem falsos interesses.

Estes últimos dias do ano dias são comemorados com a alegria contagiosa dos ambientes, confraternizações, descontração, expectativa de assistir ou participar do “réveillon” com celebrações, fogos de artificio, comes e bebes, contagem regressiva.

Mas por que não uma visitinha rápida ou um simples telefonema àqueles que possam estar enfrentando situações de solidão – ou esquecimento – no último dia do ano? O gesto poderá vir a marcar, com um pouco alegria, o ano de quem se sente ou está só.

Feliz Ano Novo!