A selvageria ocorrida recentemente na prisão do município de Pedrinhas, Maranhão, divulgada até pela imprensa internacional, dá uma dimensão da vergonhosa imagem que este país projeta no exterior. O Maranhão, da dinastia Sarney, em face da repercussão da barbárie que estarreceu o mundo, abortou uma licitação do governo local para a compra de alimentos para as duas residências oficiais no valor de 1 milhão de reais para o ano. A lista de compras, pasme, incluía 80 kg de lagosta fresca, uma tonelada e meia de camarão e oito sabores de sorvete. Isto em um país que ainda tem gente que come apenas uma vez por dia – quando come -, é obrigada a beber água poluída e encarcerados são alimentados com arroz e galinha crua.

Vivemos uma realidade longe do glamour enganador das novelas, entre outras ilusões, inclusive as criadas pela mídia comercial, a serviço de anunciantes nem sempre escrupulosos.  Somos bombardeados por discursos governamentais, em todos os níveis. A retórica, política até as entranhas, não consegue ocultar as condições reais da Educação, Saúde e Segurança neste Brasil do século XXI – condições dignas, apenas, de países que sofrem com a carência de recursos naturais abundantes, cidadãos deformados culturalmente pela mais absoluta ausência de escolaridade, desprotegidos por conflitos étnicos fratricidas.

O segmento mais esclarecido da população, impotente, assiste aos desmandos de uma política econômica maquiada quando da divulgação de seus resultados. Apresentam dados ininteligíveis para o povo que na sua maior expressão é ignorante sobre assuntos que governam sua vida e seu bolso, iludido em sua esperança de um porvir abençoado. Amaldiçoado por políticos corruptos, gestores desqualificados dos vários impostos pagos, refém de um congresso nacional corporativista que legisla em causa própria, para se dizer o mínimo, o país escancara suas deficiências estruturais sobejamente conhecidas pelos mais esclarecidos.

Este país, ainda que democrático, mas sem oposição organizada ao governo, dificilmente reverterá o quadro de nossa realidade. Por mais “azeitada” que a máquina governamental esteja e a apresentação de números e dados pelo governo seja criativamente elaborada, não há como se tapar o sol com a peneira por muito mais tempo.

A alternância é saudável sob todos os pontos de vista, eis que o passar do tempo se encarrega de tornar obsoletos costumes, teorias, práticas, instituições e, sem dúvida governos. No caso de governos, sua perpetuação no poder pode vir a enraizar atitudes e comportamentos nefastos para democracias arduamente conquistadas.

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