A foto me foi enviada por uma amiga.

É sabido que o jogador do Barcelona e família tem uma fortuna de R$ 255 milhões – fruto de sua nebulosa transferência do Santos F. C. para a Espanha – salários de R$ 385 mil semanais com os impostos já descontados, além de um bônus que chega a R$ 784 mil por temporada. Obviamente, o personagem não é o único na lista dos atletas mais ricos do planeta “perdendo” para jogadores como Cristiano Ronaldo (R$473 milhões de patrimônio líquido) e Lionel Messi (R$467 milhões). Há que se argumentar que jogadores de basquete da NBA e pilotos da Fórmula 1 recebem, também, cifras astronômicas para atuar. O que, a meu ver, não altera em absolutamente nada o panorama.

Há que se alegar que muitos dos bafejados por euros e dólares em profusão criam instituições de apoio a classes menos favorecidas. Não se desconhece, no entanto, que todos são agraciados por benefícios tributários generosos que amenizam a elogiável filantropia. Nem por isso o fosso das diferenças sociais deixa de ser menos profundo nem mais reconfortante.

Talento e atividades de risco devem ser sempre muito bem remunerados, sem qualquer dúvida. Mas o sol que nasce para todos não aquece nem ilumina indiscriminadamente e as distorções, enormes, levam a inevitáveis desajustes estruturais, nem sempre visíveis a olho nu, mas que tem levado o mundo a entrar em convulsão sem precedentes.

Possuo um inconformismo visceral com a forma pela qual a sociedade lida com essas aberrações. Não são poucas as pessoas que se comovem com a miséria humana, desastres e catástrofes, mas que ao mesmo tempo olham para o outro lado – sem coragem ou interesse – de tomar consciência verdadeira do que acontece à sua volta. As necessidades básicas de milhões de semelhantes são esquecidas, ignoradas, imersas que são pela volúpia do comércio impiedoso que doura a pílula para seres como você e eu, fazendo-nos acreditar que o lado glamoroso da vida deve ocupar o lugar mais alto no pódio dos desejos.

Estamos sendo manipulados como marionetes pelas mídias e grandes corporações. Mas um dia, quero crer, a fonte há de secar, uma nova estrutura social há de emergir e o sol há de aquecer e iluminar a todos sem qualquer discriminação.

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