Qualquer provedor de conteúdo e acesso à Internet coloca o mundo e as notícias à sua disposição em tempo real. Subliminarmente vamos formando uma imagem do panorama mundial, dia-a-dia, sem muito critério de avaliação, talvez, pela enxurrada de informações colocadas na tela durante 24 horas ininterruptas. A leitura e assimilação dos conteúdos se dão de forma dinâmica, onde muitos dos textos são apresentados sob forma sucinta e, não poucos, lidos apenas nas chamadas das matérias. A reflexão sobre a maioria das notícias, quando e se ocorre, se dá de forma superficial e casual. Sinal dos tempos, mas verdade. A exceção fica por conta de articulistas e blogueiros com matérias dosadas e bem colocadas em sua maioria.

Neste momento em que escrevo, assuntos variados estão em destaque na rede: desde a crise na península da Crimeia e seus desdobramentos imprevisíveis em face da posição assumida pelo ocidente diante do conflito até as supostas propinas milionárias (em dólares) recebidas por funcionários da Petrobrás envolvendo contratos com a empresa holandesa SBM Offshore sendo investigadas pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

O volume de informações díspares é de tal ordem que não nos permite criar juízo de valor – e assimilar com critério – a real conjuntura aqui e no exterior. Que reflexão nos permitimos fazer, criteriosamente, sobre a avalanche de noticias que nos conduzem a mudanças nos hábitos, costumes e oportunidades? E, ainda, qual o nosso posicionamento em relação aos desdobramentos dos eventos ocorrendo em casa e aqueles lá fora? Que papel nos cabe dentro das circunstâncias? O de meros expectadores ou o de participantes em debates e discussões que possam nos levar a, inclusive, ponderadamente, decidir que futuro almejamos para nossas famílias e nosso país diante do efeito dominó dos acontecimentos recorrentes neste planeta globalizado?

A razão de ser das pessoas, com perfil alterado pela ação contundente das redes sociais, tem se mostrado indefinida e sem objetivos definidos. Fico com a nítida impressão de que, cada um a seu modo, vive um isolacionismo, individualismo preocupante, como a olhar apenas para o próprio umbigo (e seu celular, naturalmente…).

A massificação, em todos os sentidos, nos torna prisioneiros de uma “web” (teia) sem cor nem cara. Parece que estamos pedalando em cima do muro sem poder parar, em um moto perpétuo. Talvez não seja por outra razão que a tecla menos usada em meu computador seja a… pausa!

* Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98 *