O clima de Copa do Mundo começou forte na mídia com os patrocinadores preenchendo seus espaços, buscando retorno em seus investimentos de peso. Já nas ruas e nas cidades o que se tem observado até agora é um clima morno sem grande entusiasmo visível. As autoridades governamentais acreditam que tão logo os jogos comecem a acontecer o povo vai se entusiasmar e que o “carro pega no tranco”.

São tantas as controvérsias relativas ao evento e muitas as frustrações daqueles que imaginavam ser a Copa – a começar dentro de uma semana – a “Copa das Copas” clamada pela presidenta. As ações de protestos e manifestações que vem ocorrendo em várias partes do país deixam governos, empresários e comerciantes de orelha em pé. Não são poucos os investidores que tentam proteger suas marcas de locais desprotegidos e comerciantes idem, preocupados com a reação dos “contra-Copa”.

A julgar-se pelo noticiário, o mega esquema de segurança montado pelo governo reunindo milhares de policiais civis, militares e rodoviários, esquema este encorpado com a presença das forças da segurança nacional e armadas do Exército, Aeronáutica e Marinha, dá uma demonstração inequívoca da preocupação – legítima – com o rumo dos acontecimentos durante os jogos. Pode até ser que as manifestações ocorram num clima de samba na base do “Deixe que digam que pensem que falem, deixa isso prá lá, vem prá cá, o que é que tem, eu não estou fazendo nada”. E como torcedores da amarelinha, torcemos também para que haja por parte da população e das autoridades moderação nas ações que certamente acontecerão. Importante, ainda, demonstrarmos que apesar das imagens na televisão – de índios flechando policiais na capital da república – somos mais que botocudos e que há muito de positivo em várias ações outras do povo brasileiro.

O aprendizado com a realização do torneio agora certamente servirá como teste para os jogos olímpicos a serem realizados daqui a dois anos. Infelizmente, temos mostrado ao mundo nossa incapacidade de honrar compromissos em tempo e sem a qualidade que tanto nos diferencia. Muito do que está sendo feito para a Copa, vem sendo realizado de afogadilho com os resultados e custos sobejamente conhecidos. Quem sabe para o futuro, leia-se Olimpíadas, tenhamos aprendido a lição e não passemos vergonha mais uma vez. Como dizem que Deus é brasileiro só nos resta aguardar sua mãozinha. Mas que não seja demais a exigir-se d’Ele!