O clima de eleição está correndo solto com o anacrônico sistema de horário político gratuito a pleno vapor, apresentando personagens caricatos e muito palavreado inútil dos principais atores ao lerem na TV – com cara de paisagem – tudo aquilo que seus marqueteiros escreveram.

Temos assistido à tentativa de desconstrução de imagens, a aplicação de golpes rotineiramente utilizados em situações de desespero, à falta de ética habitual num vale-tudo que visa, exclusivamente, chegar ao poder ou simplesmente mantê-lo a qualquer preço.

Políticos e aspirantes se filiam a partidos por conveniência e tanto eles como seus eleitores não guardam qualquer afinidade com e desconhecem a filosofia e princípios que norteiam a existência dos ditos; talvez apenas um ainda sobreviva com cores desbotadas pelo tempo e objetivos distorcidos.

Seriam estas algumas das razões que contribuíram para o desinteresse de jovens entre 16 e 18 anos em votar? Pelos dados do TSE –Tribunal Superior Eleitoral – houve uma expressiva redução de 31% no número dos aptos a votar naquela faixa de idade – se comparado aos números de 2010 – mas que abdicarão de seu direito por motivos diversos. Entre os principais, a descrença no “sistema” e nos políticos. Ao acompanharem, ainda que à distância, como se faz politica neste país, não surpreende o desinteresse demonstrado.

Para exercer a cidadania é preciso primeiro conhecê-la, aprender como exercitá-la! Mas, infelizmente, não faz parte de nossa cultura tornar familiar aos jovens e cidadãos outros, desde cedo, quais os seus direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na Constituição. Quero crer, inclusive, que a maioria de nossa população de 202 milhões brasileiros sequer saiba o significado do termo cidadania.

Os jovens que nasceram em meados dos anos 90 cresceram em um mundo que se desenvolveu – sob todos os aspectos – a uma velocidade assustadoramente alta. Hábitos e costumes sofreram uma revolução desde então e as cabeças dessa moçada estão anos-luz à frente daquelas dos políticos que no congresso brasileiro “trabalham” de terça a quinta feira e têm férias de um mês em julho e mais um tanto entre o Natal e 1 de fevereiro do ano seguinte. Vergonha internacional!

Jovens mudam de faixa rapidamente e suas cabeças se encantam e desencantam com a mesma facilidade. Talvez seja por isso que na política brasileira não tenhamos encontrado – nas últimas décadas – líderes expressivos capazes de levar e conduzir ao debate as questões fundamentais para o desenvolvimento do país buscando alternativas que permitam alternância maior nos poderes executivo e legislativo.