O destino de 202 milhões de brasileiros é decidido por 594 compatriotas que se permitem viver no mundo do escambo, regiamente remunerados – cujos valores você e eu jamais saberemos com exatidão – comprometidos com seu (deles) bem estar financeiro e pessoal, fazendo barganhas que fariam corar um monge tibetano, desfrutando de imunidades qualificadas como parlamentares.

Não podemos culpá-los, absolutamente, por estarem frequentando as duas Casas do Congresso, pois fomos nós que os colocamos lá. Ou melhor, fomos obrigados – por bem ou por mal, conscientes ou sem alternativa – a elegê-los para nos representar como cidadãos. Mais que um direito constitucional, no caso brasileiro uma obrigação! Ressalve-se que entre as 15 maiores economias do mundo o Brasil é o único país no qual o voto é compulsório.

Eleições realizadas sob o regime de voto obrigatório, a cada biênio, não expressam a vontade autêntica da população. A imensa massa do povo não é politizada e sofre influências, principalmente, do nefasto horário político eleitoral gratuito (gratuito?) e bombardeio subliminar da propaganda eficiente através de todas as mídias. Aquela velha história “você se recorda em quem votou nas últimas eleições?” permanece sempre atualizada, com exceção dos votos dados a candidatos à presidência da República.

Há décadas ouvimos falar em reforma política, especialmente quando as mazelas da ora praticada (política) escancara os descalabros praticados por políticos em todos os arraiais. Durante o ano todo surgem aqui e ali desvios de conduta praticados por aqueles que mereceram a confiança de incautos eleitores. Não são poucos nem insignificantes os desvios, assim como minúsculas são as punições quando e se apanhados com a boca na botija e após anos de idas e vindas transitando processos pelo lento judiciário brasileiro.

Desde 1824 vem o país sofrendo com constituições – sete no total – dotadas de progressos e retrocessos por regimes fechados ou democráticos. E desde 1932, com o Código Eleitoral de Getúlio Vargas, foi instituída a obrigatoriedade de votar em eleições. Aberração que permanece até hoje e em nenhum momento pensada em desobrigar o cidadão da imposição.

Se pretendermos ser um país realmente democrático como tantos que não obrigam seus cidadãos a votar – mas outorgam-lhes o direito de fazê-lo por livre e espontânea vontade – já é passada a hora de a sociedade, imprensa, órgãos defensores dos direitos humanos, você, se manifestarem e se fazerem ouvir no Congresso Nacional em alto e bom tom: voto obrigatório, não! Livre direito de escolha, sim!

Aí, quem sabe possamos ir buscar a vaca lá no brejo!