No início deste ano escrevi sobre o tema “mulher” em artigo cujo título era “Vieram para ficar”. Agora, com eleições à vista, não surpreende que a participação de candidatas concorrendo a postos eletivos tenha crescido expressivamente, se comparado a 2010: é 46.5% maior o número de mulheres disputando um cargo nas eleições gerais deste ano
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Nenhuma surpresa, eis que o sexo feminino já vem preenchendo mais e mais espaços, antes ocupados pelos que fazem uso de barba e bigode no âmbito empresarial. Em presidências e diretorias de corporações, nos Estados Unidos chegam a ser as mais bem remuneradas em alguns setores. Por aqui começam a pipocar!

A política vem atraindo o interesse daquelas que, acredito eu, desencantadas com o desempenho do sexo oposto na arte de governar e legislar – com vários “artistas” em cena – estão se dispondo a concorrer a cargos políticos para colocar um pouco mais de ética e probidade no meio mais que devassado.

É verdade que as mulheres ainda são minoria expressiva nesse âmbito. Apenas oito países registram ao menos 40% de mulheres no parlamento: Argentina, Cuba, Finlândia, Islândia, Holanda, África do Sul, Ruanda e Suécia. Na compensação, em 2009 seis países ainda não tinham nenhuma mulher no parlamento: Belize, Estados Federados da Micronésia, Omã, Qatar, Arábia Saudita e as Ilhas Salomão.

A contrapartida é que muitas já se fizeram respeitar pela competência com que vem desempenhando seus cargos, até mesmo ocupando o posto máximo do poder em seus países. Destaque para a chefe de governo (chanceler) Angela Merkel, da Alemanha, maior potência da Europa. Com doutorado por sua tese em física quântica, tem demonstrado invejável capacidade de governar seu país – desde 2005 – sendo considerada, hoje, pela revista Forbes, a segunda pessoa mais poderosa do mundo.

Em termos de Brasil, a pergunta que alguns podem fazer é: levando-se em consideração todos os aspectos da natureza humana, estariam as mulheres mais preparadas que os homens para enfrentar o canto da sereia da corrupção (mazela da política nacional)? Questão para um debate interminável. Na minha vida profissional, sempre as identifiquei como seres de maior sensibilidade, intuição aguçada, sexto sentido diferenciado. A própria maternidade – para um xeque-mate – as tornam criaturas diferenciadas. Assim…

Como bem escreveu Cora Coralina: “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida removendo pedras e plantando flores.” Imagem para ponderação de nossas bancadas femininas nos legislativos de todo o país.