O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos sem caráter, dos sem ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons (Martin Luther King)

A propaganda eleitoral do governo para reeleger a presidente da República este ano desandou. Com porteira aberta brindando a falta de ética, ausência de lisura, valorizando a calúnia, perdendo até as estribeiras nesta vergonhosa campanha, o governo tem dado demonstrações de que vale tudo em nome de preservar sua continuidade no poder. Terrorismo político!

O partido instalado em Brasília há 12 anos, com sua poderosa máquina infiltrada em todos os nichos governamentais e não, se sente ameaçado em sua continuidade e projeto de poder. O projeto: manter-se no governo indefinidamente começando por permanecer na cadeira até 2026, com Luiz Inácio após o término do governo de Dilma Rousseff, se esta vier a ganhar as eleições em outubro. Período mais longo que o da última ditadura militar. Uma temeridade!

Impressionam-me os diversos argumentos acusatórios à candidata Marina. Atrevo-me a analisar três dos mais contundentes:

  • Marina não tem experiência. Bem, todos os que ocuparam a presidência da República nos últimos anos eram políticos experientes. O primeiro que governou por dois mandatos consecutivos – sem emprego fixo durante décadas – herdou do governo anterior uma herança “bendita” que, dada sua dificuldade com a língua portuguesa, qualificou como “maldita”, mas se beneficiando de iniciativas já implantadas e que permitiram ao país se superar. A segunda, produto de seu mentor, Luiz Inácio, com “larga experiência político-administrativa” encerra seu mandato deixando o país em frangalhos: economia estagnada, inflação altíssima, PIB vergonhoso (quantos dos eleitores conhecem seu significado?), balança comercial em queda, preços dos combustíveis e de energia elétrica represados – mas a implodirem os orçamentos dos cidadãos em 2015 – infraestrutura inexistente, bancos deitando e rolando com lucros estratosféricos pela cobrança de taxas extorsivas fruto de catastrófica gestão econômica, diplomacia externa desastrosa. A parcela da população que não lê e ignora tudo isto não é pequena, além de fazer parte daquela denominada “nem nem”, ou seja, nem estuda nem trabalha. As bolsas de todo os tipos estão aí mostrando e demonstrando que é melhor receber o peixe pescado que ser ensinado a pescar.
  • Marina é ligada aos banqueiros. Balela! Os lucros dos bancos brasileiros desde o início do governo de Luiz Inácio são de causar inveja àqueles do primeiro mundo. Para que se tenha uma ideia, a soma do lucro registrado por quatro bancos brasileiros em 2013, que chegou a cerca de US$ 20,5 bilhões, é maior que o Produto Interno Bruto (PIB) estimado de 83 países no mesmo ano, segundo levantamento feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nunca lucraram tanto como nos últimos 12 anos. Bancos que deveriam ser taxados pesadamente pela Receita Federal são poupados enquanto até aposentados recebendo merrecas no fim do mês o são. Quem é chegado aos bancos?
  • Marina tem uma aparência que demonstra fragilidade. Mahatma Gandhi, também tinha. E quebrou o domínio do imbatível Império Britânico, na Índia, para sempre, em 1947. Para quem foi alfabetizada aos 16 anos, cursou posteriormente uma faculdade, foi ministra de Estado e senadora da República por méritos próprios, nada falta para governar este país. Belo currículo para quem não tem experiência. Lembrando sempre que o que sua aparência não revela é a seriedade com a coisa pública, a ética na política e vida privada, princípios e valores inquestionáveis. Quais os predicados dos demais candidatos?

A massa do povo brasileiro não acompanha o noticiário econômico e político, pois não tem o hábito da leitura – quando sabe ler – e toma suas decisões “pelo que ouviu falar”. Pela boca dos outros, no melhor estilo de tempos idos quando o povo da comarca tomava conhecimento das notícias durante o sermão dominical do padre da paróquia. Com direito à versão paroquial dos fatos noticiados e sem contestação. É o que o horário gratuito na TV vem fazendo com milhões de brasileiros sem qualquer espírito crítico.

O continuísmo é nefasto. Países como Iraque, Afeganistão, Líbia tiveram o continuísmo ceifado pela base. A Síria se sustenta não se sabe até quando. Países mudam rapidamente suas economias, políticas internas, aliados comerciais e bélicos. Gerações avançam no tempo; a caducidade se apresenta como a mãe do retrocesso.

Esqueçamos que o palhaço e hoje deputado federal Tiririca recebeu mais de três milhões de votos nas últimas eleições; esqueçamos que a Policia Federal tenta ouvir Lula há sete meses sobre o mensalão e não consegue; esqueçamos que o congresso nacional está corroído por acordos indissolúveis; esqueçamos que a maior empresa brasileira – Petrobrás – tem uma gestão lesiva aos acionistas minoritários e assiste impassível aos “malfeitos” de milhões de dólares.

Por tudo isto, e um pouco mais, meu voto é da Marina.