Renomados colunistas de política prognosticam que o segundo turno da eleição será uma “carnificina”.  Imaginei que fora exatamente isso que já ocorrera nas campanhas para o primeiro turno, mas pelo visto – e ingenuamente – enganei-me, o que me deixa um tanto surpreso. Quero crer que o mais elevado nível de absenteísmo, votos nulos e brancos desde 1998 – 29% – nesta primeira fase do pleito, seja um reflexo da pancadaria assistida por milhões de eleitores cultos, incultos e ocultos. O prognóstico dos articulistas especializados, lamentavelmente, dá uma dimensão do país em que estamos vivendo.

O voto é o mais democrático dos instrumentos a ser utilizado por cidadãos que querem ter sua voz ouvida. Ao se calarem, através de uma das três formas mencionadas, refletem o desânimo, a descrença, a apatia, com que expressiva faixa da população apta a votar se manifesta surdamente. A julgar-se pelos diversos movimentos ocorridos desde o ano passado, todos clamando por mudanças em segmentos os mais diversos de nossa sociedade, a constatação nos leva a acreditar que a classe política está falida. Partidos sem ideologia, candidatos descompromissados com o futuro do país, alianças – no mínimo espúrias – comprometidas nos estados, mas em colisão frontal a nível federal, fortunas desconhecidas bancando (investindo?) todo tipo de candidatura. Esta é a realidade a que estamos assistindo.

O ceticismo demonstrado no primeiro turno pode ser espelhado no fato de que a porcentagem dos “omissos” superou aquela da terceira colocada na corrida presidencial (21%). Se minha aritmética não estiver equivocada, como o número de eleitores no país é de 142 milhões, os ausentes somam pouco mais de 42 milhões de votantes aptos a exercer seu direito cívico, mas não o fizeram. À exceção da Colômbia, o número expressado é superior ao da população de qualquer outro país da América do Sul. Uma lástima!


Mas como cidadão esperançoso e preocupado com o futuro do país espero, quem sabe, por um pequeno milagre onde as partes (ainda beligerantes…) se desarmem e ofereçam à população propostas, sim, propostas, que possam desanuviar um horizonte que se prenuncia obscuro, dando-lhe a oportunidade de continuar acreditando nas instituições democráticas brasileiras.

Não se omita!