O sonho não acabou 2A Petrobrás, empresa estatal de economia mista cujo acionista majoritário é o governo, operando em 25 países no segmento de energia, prioritariamente nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e seus derivados, há cinco anos foi considerada a 12ª maior empresa do mundo, em termos de valor de mercado, segundo o Financial Times, da Inglaterra. Hoje, ocupa a 120ª posição.  
 
 A empresa, envolvida em um “imbróglio” (do italiano: confusão, trapalhada) de corrupção jamais vista neste país, faz do mensalão – lembra-se dele? – café pequeno. Como as investigações se encontram ainda no início e parecem ser para valer, o poder Executivo e seu partido encontram-se em situação desconfortável, para dizer o mínimo. Com a prisão de ex-diretores da estatal, presidentes e altos executivos de empreiteiras, alguns já gozando do benefício da delação premiada, o resultado final ainda vai demorar e poderá, inclusive, abranger outros segmentos controlados por partidos da base aliada do governo, como o do setor elétrico por exemplo. Espere-se por tempo instável sujeito a chuvas, trovoadas e, principalmente, desmoronamentos!
 
 Esta é a primeira, maior – e talvez única – chance que o país tem para provar, a quem quer que seja, sua capacidade de fazer com que leis possam ser aplicadas com isenção, sem intromissões governamentais, de natureza política ou de partidos que visam exclusivamente seus interesses “coronelistas”. A imprensa sadia, descompromissada, e a sociedade mais politizada, educada, preocupada com os destinos do país, dentro de um mundo cercado por incertezas econômicas, bélicas e sociais de toda ordem, precisam se dar as mãos na perseguição aos valores que tornam qualquer nação respeitada e magnânima.
 
 Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário estão sendo submetidos – diante dos olhos de sua sociedade e do resto do mundo – a provas de competência, lisura, ética, comprometimento com uma verdade a ser vigiada até que se transforme este escândalo, com repercussão além fronteiras, em exemplo de conduta ilibada e democrática das instituições nacionais.
 
 Não permitamos que este país se torne uma terra arrasada, dominada por homens acobertados por conivências espúrias de poderes constituídos que se julgam acima das leis e dos princípios que regem um sistema político – isento – dos povos livres. É chegada a hora de educarmos as novas gerações dando-lhes uma demonstração sobre democracia plena. Às mais antigas, que o sonho não acabou!