O professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa, Douglas Tufano, a quem não conheço – mas reconheço que prestou um importante serviço aos interessados e preocupados em escrever corretamente nosso idioma – disponibilizou um Guia Prático da Nova Ortografia na internet.

De forma sucinta, faço notar De A a Zeroalgumas poucas alterações introduzidas na ortografia de nosso vernáculo pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste (informação para acrescentar à sua cultura geral…). Aproveito para, ainda e de raspão, visitar a cultura japonesa realçando aspectos educacionais.

Afinal, é sempre bom lembrar, que em nosso país de muitos iletrados e não poucos analfabetos funcionais, 529 mil alunos ficaram com nota zero em redação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), em 2014. O exame que permite aos estudantes tentar uma vaga em universidades públicas, por meio do SISU (Sistema de Seleção Unificada), lamentavelmente, “permite que os alunos possam ser aprovados ao final desde que não tirem nota zero em redação”. Em 2013, foram 106 mil nesta situação. ”Madonna mia”!

Diante disso, dei uma mirada em aspectos da educação japonesa, séria, responsável e eficiente, apesar de rígida, e que ainda convive com o “bullying”: problema dos mais sérios enfrentados pela sociedade, dada a competitividade exacerbada. Sem ser compensação, na Escola Elementar, os alunos de 6 a 12 anos aprendem sobre nutrição e educação durante as refeições. São responsáveis pela limpeza dos próprios pratos – por isso podem comer na sala junto com os professores – realizam tarefas de limpeza – da sala e dependências da escola – além de se servirem à mesa. Ressalte-se que entre as matérias estudadas nesse período estão: língua japonesa, estudos sociais, aritmética e ciências, educação moral, artes, artesanato, música, trabalhos domésticos, educação física e língua inglesa. Sem ser pedagogo, aplaudo!

Voltando à vaca fria, o alfabeto passou a ter 26 letras: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z. Foram reintroduzidas as letras k, w e y; não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u, que permanece apenas nas palavras estrangeiras; não se usa mais o acento nas palavras terminadas em êem e ôo(s). O uso do hífen, por exemplo, é dos mais complexos exigindo atenção e conhecimento. 

Falar e escrever corretamente nossa língua exige muita leitura de qualidade. Quanto ao número zero, bem, poderia servir de referência para o analfabetismo…