Nunca fomos tantos na face deste planeta, ocupando e dividindo espaços devidos ou indevidos, buscando o entendimento pela palavra – que pode ser uma arma – ou pelas armas que calam aConvergir é precisos palavras. Fôssemos todos mudos ou, até mesmo analfabetos funcionais – aptos a decifrar letras e palavras, mas incapazes de atinar sobre conteúdos – e as reações individuais e coletivas poderiam ser, talvez, diferentes.

O dicionário nos ensina que atitude é o comportamento ditado por disposição interior, maneira de agir em relação à pessoa, objeto e situação. Conflitos fratricidas e pessoais são um exemplo clássico de situações onde a palavra é o gatilho que faz disparar o tiro da discórdia. Curioso observar que “palavra” é a “unidade da língua escrita situada entre dois espaços em branco, ou entre espaço em branco e sinal de pontuação” (Houaiss).

Sem espaços em branco, antes e depois, as palavras não fariam sentido e, quem sabe, tornariam a convivência mais fácil. A palavra pronunciada, longe de ser um bumerangue, é um disparo sem volta, uma flecha lançada sem retorno. Atitudes, no entanto, refletem um sentimento íntimo, guardado em nosso âmago, revelando um lado que nem sempre ansiamos por revelar.

Como seres humanos pensantes, dotados de inteligência, mas distintos na essência, agimos e reagimos de acordo com as circunstâncias e cada um a seu modo. Não existe o certo e o errado absolutos. Ambos são fruto de convenções culturais e assim devem ser entendidos.

Mas é nesse planeta que vivemos e sobrevivemos, por enquanto… E é nele que devemos procurar a convergência, procurarmos denominadores comuns e, ainda, parodiando frase da letra de belíssima música cantada pelo incomparável Frank Sinatra, “não comermos mais que o que podemos digerir”.

Uma frase lapidar do filósofo e poeta libanês Gibran Khalil Gibran, que viveu entre 1883 e 1931, leva-nos à seguinte reflexão: “Para entender o coração e a mente de uma pessoa, não olhe o que ela já conseguiu, mas para o que ela aspira”. Sábio!