Leio, em matéria produzida pela jornalista Mônica Bergamo, que o ex-mega empresário Olacyr de Moraes, um dos brasileiros mais jovens a entrar para a lista de bilionários da “Forbes”, que foi dono de 40 empresas e da maior produção de soja do mundo, faleceu no último dia 16. Ex-bilionário, ex-rei da soja, ex-banqueiro e ex-empreiteiro foi bajulado por políticos e empresários. A história se repeteSeu império começou a desabar 20 anos atrás quando começou a construir a Ferronorte para transportar a produção do Centro-Oeste para o porto de Santos. Homem de visão, contava com prometidos recursos públicos que nunca chegaram para financiar a ferrovia. Era o início do fim de seu império.

Para os mais chegados em assuntos ligados ao mundo empresarial – sempre atrelado ao político, por evidente – sua história não difere muito daquelas de tantas outras do “big business”. Sempre envolvendo gente que foi importante por seu talento empreendedor, visão aguçada do mundo dos negócios, competência para viver em um mundo onde ninguém é santo. Por aqui, a Operação Lava-Jato, que ainda vai desmanchar a imagem de muitos até então encarados pela sociedade como cidadãos acima de qualquer suspeita, vai desmistificando uma realidade que sempre esteve velada por um manto de hipocrisia, vaidade, orgulho, traições, soberba. A famosa frase, sempre dita em tom jocoso, mas verdadeira, “não existe almoço grátis”, mais que nunca se revela presente nesse universo. 

Pessoas com patrimônios de milhões de dólares, acesso a governos de todas as estirpes, dotadas de ambição cega, endeusadas pela mídia e sociedade mais alta, são enterradas vivas ao serem desalojadas de seu pedestal de poder e glamour. O interesse pessoal prevalece em todas as ocasiões, “tapinhas nas costas” não tem o menor significado, a serventia de uns e outros mantem-se viva enquanto o peixe grande não engole o pequeno.

A ambição desmedida – desde tempos imemoriais – deixa sequelas principalmente nas famílias dos desafortunados, também encantadas pelo canto da sereia. A vida se repete. Já vimos este filme antes, reprisado de tempos em tempos.

Pouca gente foi ao velório de Olacyr e alguns artistas e políticos do Centro-Oeste telefonaram para prestar solidariedade. Familiares reclamaram que a cerimônia foi curta – o que explicaria, em parte, a falta de pessoas no velório. Uma história como tantas, já contadas e ainda por serem contadas.