O professor da Escola de Medicina de Harvard, Dr. Bernard Lown, faz a seguinte afirmação em seu livro A Arte Perdida de Curar: “Nunca a medicina avançou tanto no diagnóstico e no tratamento e nunca o ser humano enfermo foi tão mal cuidado”.  

A primeira parte da frase é inquestionável. Já a segunda, a meu ver, nesse imenso Brasil de constrastes e disparidades, encontramos múltiplas razões para atestar que, via de regra, a assertiva cabe sem dúvida. Ressalve-se que exceções existem e residem nos médicos e instituições vinculadas a planos de saúde “Premium” – privilégio apenas para um percentual com muitos zeros depois da vírgula – antítese do nosso velho e desgastado SUS.

Não é de hoje que existe uma conduta de trabalho praticada por inúmeros médicos e que seus críticos denominam de fast medicine em alusão ao fast food: consumo ligeiro, rico em ausência de nutrientes e paupérrimo em nutrição saudável.  O espelho – no caso da medicina – são consultas rápidas, não raro sem exames clínicos detalhados visando melhor avaliação do estado dos pacientes, solicitação de bateria de exames deixando a cargo das máquinas e técnicos que agem como se em linha de produção estivessem, produzir resultados – nem sempre exatos – para diagnóstico posterior.

Mas a Medicina Veterinária trata e demonstra, através de seus médicos, maior zelo e carinho pelos seus pacientes – animais doentes – dando-lhes atenção devida e doando-lhes o tempo necessário para uma consulta digna do nome. A pergunta é por quê? Medicina é medicina! Certamente existem dezenas de respostas a serem dadas pelos esculápios destes dias; a maioria, enredada em um sistema mercantilista, perverso, dependente de empresas e laboratórios farmacêuticos que nos tem – bípedes pensantes – como mercadoria.  Fomos transformados em artigos de consumo rápido, de rapidinhas: em consultas de 15 minutos, se tanto. Largados à própria sorte – se não pudermos bancar as visitas aos que podem nos receber no andar de cima – só nos resta aceitar um tratamento ainda muito distante daquele oferecido aos nossos animais de companhia e estimação.A medicina de Hipócrates

Cumpre-me ressaltar, contudo, que existem raras e honrosas exceções de profissionais de jaleco branco os quais, apesar das limitações que lhes são impostas pelo vil sistema, ainda honram o Juramento de Hipócrates feito por ocasião de sua formatura. Começa assim: “Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da Humanidade”. Prossegue: “Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção”. E finaliza: “Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra”.

Sem mais!

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