A imagem do menino Aylan Kurdi, de 3 anos, resgatado sem vida em uma praia da Turquia, chocou o mundo. Mais uma vítima, enBarreiras aqui e alitre dezenas de milhares que desapareceram em alto mar, tentando sobreviver à fome, à miséria, a guerras fratricidas e de ideologia religiosa no norte da África. Uma tragédia humanitária. O êxodo, nos últimos anos, já atingiu cifras superiores às da segunda guerra mundial.

Muitas nações se tornaram desenvolvidas graças às migrações de povos de diferentes latitudes. Colonialistas europeus que exploraram – durante séculos e até a exaustão – as riquezas do continente africano, sem nada dar em contrapartida, se veem agora diante de um quadro que certamente mudará, para sempre, o perfil geopolítico e social do continente. A Alemanha, por exemplo, prevê que 800 mil migrantes venham a pedir asilo este ano estabelecendo, nos próximos, uma nova sociedade dentro da já envelhecida comunidade europeia.

O Brasil, timidamente, se manifestou favorável a receber mais imigrantes sírios afrouxando as regras para concessão de asilo. É pouco. E não são poucos os retirantes africanos que poderiam ser abrigados em nossas terras do centro-oeste, nordeste e norte, cujo perfil produtivo e climático em muito se assemelha aos dos seus países de origem. A gravíssima crise econômica (e política), fomentando o desemprego dia-a-dia, não facilita o estender de mãos aos mais necessitados do outro lado do mundo.

Há que se lembrar, no entanto, que imensos territórios despovoados, mas capazes de produzir, poderiam contar com uma mão de obra disposta a lutar por sua sobrevivência – com dignidade – sem pretensão alguma de contar com “bolsas” de qualquer natureza.    

Enquanto isso, por aqui, o Dia da Independência, esta semana, foi celebrado em Brasília diante de um quadro insólito. O governo (?) – em mais uma demonstração de inabilidade política e desrespeito à liberdade de ir-e-vir – decidiu murar enorme perímetro no entorno do local das comemorações, visando evitar novas manifestações de descontentamento. Sem comentários! O fato é que, após o grito de D. Pedro I, em 1822, o Brasil nunca deixou de viver ao longo dos últimos 193 anos períodos de república monárquica.

Nossa Constituição Federal tem sido benévola com os mais aguerridos durante os anos de ditaduras e plena democracia. A lei máxima, que outorga ao presidente da República poderes imperiais concede-lhe, também, a prerrogativa de… usar a caneta sem restrições e a… ser o guardião da chave do cofre do Tesouro Nacional.  

Assim, este país parece estar, ainda, no rascunho e carente de ser passado a limpo!

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