Ciclo existencialUm estudante nigeriano alcançou as maiores notas em uma universidade japonesa desde 1965. Mas esse não foi o único recorde quebrado por Ufot Ekong. Em seu primeiro semestre na universidade, o estudante conseguiu resolver uma equação matemática que estava há 30 anos sem solução. Ekong estuda engenharia elétrica na Universidade de Tokai (particular e direcionada a carreiras de ciências e tecnologia), em Tóquio.

Um menino sírio – Aylan Kurdi – de apenas três anos, foi encontrado sem vida em uma praia da Turquia recentemente, vitima de um dos naufrágios na travessia para Europa por migrantes que, oriundos da África, Síria e outras áreas em conflito, tentam fugir da miséria, perseguições étnicas, religiosas e políticas. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), o número daqueles que jamais chegaram ao seu destino é alarmante: mais de 2.500 pessoas morreram na tentativa de consumar a travessia e mais de 500.000 migrantes atravessaram o Mediterrâneo desde janeiro.

Neste mundo desequilibrado – sob qualquer ponto de vista – onde poucos têm muito e muitos têm nada, absolutamente nada, a roda da vida gira a todo vapor, de forma injusta, como se fôssemos entes diferentes uns dos outros. Somos medidos e avaliados por nossos semelhantes pelas posses materiais e feitos obtidos profissionalmente. A política se insere nesse contexto onde mora a ambição do poder pelo poder e suas “benesses”. Sobrevivência é um substantivo com definições várias, mas significado distinto quando a luta é pela vida na acepção da palavra.

Foge à minha compreensão a razão, ou razões, de vivenciarmos destinos tão diferenciados como os de Ufot Ekong e Aylan Kurdi. Existem explicações, ou tentativas de explicações, para estes acontecimentos e razões para tanto. “Sempre foi assim” com alternância de atores e motivos, alega-se. Mas reconheço que não são poucos os que se entregam à árdua tarefa de dedicarem suas vidas para tornar o fardo da vida dos menos afortunados mais leve.

A imagem da Terra tirada pela NASA em operação espacial é inconteste.  Sequer somos visíveis na foto de um universo que se perde no infinito. Tal é a dimensão de nossa importância neste planeta. A maioria dos que por aqui transitam deixa pouca ou nenhuma marca. Por isso, quero crer que, talvez, a espécie se encontre, ainda, em estágio inicial de evolução e as desigualdades ainda existentes entre semelhantes façam parte de um processo de aprendizado maior. Talvez!   

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