Casa da Mãe JoanaO dicionário nos ensina que ”decomposição” tem como sinônimos “apodrecimento” e “putrescência”. Não é outro o estado em que se encontra a política brasileira onde o termo corrupção parece fazer sentido somente nas falcatruas de Mensalões e Petrolões. Não é assim!

O poder imperial concedido pela Constituição Federal a um presidente da República faz com esse possa – a seu bel prazer e por interesses pessoais – criar ministérios, dotá-los, loteá-los, oferecê-los em barganhas de lisura duvidosa, nomear como seus titulares políticos sob suspeita comprovada ou não. E pior: são muitos aqueles que não possuem, sequer, qualquer intimidade com os assuntos concernentes às suas pastas. Os Ministérios da Educação e Saúde, por exemplo, perderam seus titulares esta semana – ambos reconhecidamente competentes – cedendo suas cadeiras a políticos profissionais em nome da sobrevivência política da Chefa do Executivo.

Neste país, que se encontra na pindaíba, deslizando pelo precipício moral, ético e econômico, assistimos ao loteamento de cargos públicos despudoradamente. No primeiro escalão do governo as garras dos partidos se voltam – por que razão? – para ministérios com os maiores orçamentos que oferecem aos bem dotados massa de manobra em manobras políticas de pouco ou nenhum interesse da população. É de fazer corar um monge!

Depois de conseguir a façanha de desestruturar a economia, arruinar as indústrias, desempregar milhares de trabalhadores, veio o arrocho para os aposentados da Previdência Social  que não estão a merecer, ao menos, sua inclusão no estabelecimento das regras para correção de benefícios com base no salario mínimo – beneficio esse que é, no entanto, concedido a bolsistas de todas as espécies.  E vem mais por aí com novos impostos a serem cobrados, inclusive a velha e famigerada CPMF, e a perspectiva de aumento do imposto sobre o lucro quando da venda de um imóvel: 33% sobre o atual. Ressalve-se que, ao longo dos anos – sem qualquer constrangimento – a Receita Federal jamais permitiu a atualização do seu valor a menos que o seja por melhorias e não pelos ditames do mercado. Ditadura fiscal!

E, por tudo isto e mais um pouco, este governo ainda pede o beneplácito e a compreensão da população para medidas impopulares e impactantes ao seu bolso. Medidas que serão impostas visando corrigir os desmandos populistas que embaçaram a realidade de anos recentes. Ah, vá!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)