Não é segredo para ninguém que somos um povo culturalmente indisciplinado. Bem verdade que não o único, o que não Hora de começar tudo de novojpgnos isenta de qualquer responsabilidade. Indisciplinado no trânsito, no respeito às leis quando não observado, no comportamento ao tratar o lixo e descarte do inutilizável, no cumprimento de horários para honrar compromissos importantes ou não, estes são alguns dos desvios praticados por significativa parcela da população.

Um excelente exemplo de reconhecer que nossa incapacidade de respeitar horários com compromissos assumidos pode ser catastrófica são os sistemáticos atrasos de estudantes para enfrentar o exame do ENEM todos os anos. Neste ano foram seis milhões os candidatos e a abstenção de 25%. Desconhece-se o número de atrasados, mas sabe-se que foram muitos. Lamentável.

Fomos educados a ser desleixados para cumprir horários previamente aprazados fixando-nos, quase sempre, na hora ou em cima da hora do compromisso. Culpa-se o trânsito – sempre o vilão -, mas o respeito pelo tempo do outro, mais que sua falta, denota o nível educacional – ou prepotência, não raro – que nos impõe uma denegrida imagem “lá fora”.

A verdade é que estamos habituados, no dia-a-dia, a ouvir como resposta ao telefone, “liga daqui a pouquinho” ou “a gente se encontra lá pelas nove”, ou ainda “depois das duas” ele está aqui. E ficamos fascinados quando, na Europa, nos deparamos com horários afixados em pontos de ônibus indicando, por exemplo, 09:08 ou 10:38 ou ainda 11:53. Igualmente nos horários de trens. E mais fascinados ainda, quando constatado que os horários são rigorosamente cumpridos…

Voltando ao ENEM, uma inequívoca demonstração de que nossa “curtura” (e falta de educação, na acepção da palavra) é conivente com comportamentos desprezíveis e lamentáveis está em parte de reportagem do UOL, que transcrevo: Com uma ponta de sadismo, jovens foram para frente dos locais de prova em Curitiba, Belo Horizonte e no Rio com cervejas e energético nas mãos apenas para ver o desespero dos candidatos que se atrasaram para o Enem”.

E a cereja do bolo: “Vim ver o show de horrores, a desgraça alheia, antes de ir para uma festa de cerveja”, disse sorrindo Natália Cristina Borges, 30, na porta da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais)”.

“É du cação” essa geração!!! 

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)