Bye, Bye BrasilQue o país passa por dificuldades extremas na política e na economia não é segredo para ninguém. Desgovernado, enfrentando mais um ano perdido, o brasileiro desencantado por se constatar enganado, começa a dar sinais, em alguns segmentos do estrato social, de cansaço.

A decepção com os rumos deste país – que em realidade se encontra sem norte – está levando cidadãos a reconsiderar o futuro de seus filhos. No caso, cidadãs! Cidadãs gestantes, que dadas as suas posses, estão optando – ainda em pequena escala – por terem seus filhos nascendo nos Estados Unidos. As justificativas, entre tantas e além das já mencionadas, são de que querem um futuro promissor para os rebentos; que vivam em segurança, desfrutem da qualidade do ensino, se vejam livres da corrupção impune e, mais tarde – poderem optar por lá viverem já como cidadãos americanos. 

O imediatismo as leva a acreditar que o “sonho americano” seja solução para o “pesadelo brasileiro”. Sonhos e pesadelos terminam! Não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe. Se por um lado vivemos, desde algum tempo, em clima de guerra civil em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, assaltos à luz do dia e arrastões em praias de lazer, balas perdidas e jovens assassinados “por engano”, por outro, lá na terra do Tio Sam, os americanos enfrentam com frequência preocupante, tiroteios gratuitos em universidades e locais públicos, policiais brancos matando negros em situações de ilegalidade duvidosa – inocentados pelas cortes – politicamente insistindo em moralizar e democratizar nações à sua imagem. Tudo isso com educação e tecnologia de primeiro mundo.

Os problemas enfrentados pelos “irmãos” do norte, no entanto, tanto dentro como fora do país, são de mega-magnitude. País belicista, intervencionista em nome da democracia, em permanente alerta contra terroristas de rostos desconhecidos, com um “american way of life” orientado pela cartilha de Wall Street e a poderosa China em seu encalço, não vive em paz apesar de Hollywood.

O temporal devastador que estamos a enfrentar pode terminar com a bonança da priorização de investimentos maciços em Educação sem qualquer detrimento pela Economia. É só pagar para ver. Somos um povo pacífico que habita um continente rico dotado pela natureza, amistoso e sem ambições de expansão territorial na perseguição a qualquer hegemonia econômica, potência reprimida por anseios mesquinhos, que merece dar aos filhos que aqui vierem a nascer a oportunidade de viver em um binômio rico: Educação e Saúde de qualidade. Esses filhos, sim, poderão fornecer ao seu tempo os caminhos da prosperidade e bem-estar social para um povo que merece mais, muito mais que simplesmente bolsas e programas.

Na Roma antiga, “dê-lhes pão e circo”! Na França de 1789, “se não têm pão, dê-lhes brioches”. Não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe. Deu no que deu! Em algum lugar deste país há de existir um líder que o entenda. Que se proponha a levantar a bandeira da ética, da moral, da justiça sem conchavos, de enfrentar com galhardia os poderosos, de fazer deste país uma verdadeira Nação.

Gestantes: deem oportunidade a seus filhos de participarem do brilhante futuro que nos aguarda. Deem a seus filhos a nacionalidade que merecem. Governo: “dê-lhes Educação”! “Dê-lhes Saúde”! O resto virá por acréscimo. Naturalmente!

Aposto um suco de açaí.

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