Juízes sem apitoO repórter especial da Folha, Frederico Vasconcelos, em matéria publicada no último domingo, revela que “O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), José Dias Toffoli, recebeu R$ 35 mil em junho deste ano a título de diárias, valor superior ao salário bruto mensal do ministro, de R$ 33,7 mil”. E mais: “De janeiro a setembro, a corte pagou R$ 115,8 mil em diárias a Toffoli, que também integra o STF (Supremo Tribunal Federal). De julho de 2014, quando assumiu a presidência do TSE, até o fim daquele ano, Toffoli já havia recebido R$ 31,5 mil de diárias.”.

E foi além: “O TSE alega que Toffoli restabeleceu relações com organismos eleitorais internacionais, que houve mais viagens neste ano e que ele acompanhou eleições “como observador” (destaque é meu) ou deu palestras em 11 países: República Dominicana, Índia, Espanha, Chile, Itália, Reino Unido, México, Peru, Suécia, EUA e Canadá”. Enquanto isso, os processos permaneciam se avolumando no Judiciário. Meu Deus!

Para arrematar, “o secretário-geral da presidência do TSE, juiz Carlos Vieira von Adamek, recebeu R$ 179,2 mil em diárias e o juiz auxiliar da presidência do TSE, Márcio Boscaro, R$ 131,3 mil”.

Por fim, a cereja do bolo: “Neste ano, Adamek e Boscaro fizeram viagem de sete dias para acompanhar as eleições no… Quirguistão” (Ásia Central). Haja diárias. Meu Deus!

Vivemos um quadro político-econômico-ético-moral de ruborizar um monge! Esta pequena amostra do que – sem surpresa e amiúde – vem ocorrendo em todos os níveis de poder, dá uma dimensão do calamitoso retrato de nossas instituições. O país não precisa de um ajuste fiscal para acertar suas contas!  Precisa, isto sim, é de prestar contas de seus atos – com transparência – à sociedade! E que esta aja, ou reaja, na defesa de seus direitos e prerrogativas com firmeza. Lembrando sempre: “Prestação de contas: se não presta, não presta”!

Enquanto isso, a população dos sem-bolsa família “camela” dia-após-dia para ganhar o pão nosso de cada dia. Aposentados pelo INSS, sem opção, recebem – por ano – menos de 20% do que recebe o presidente do TSE apenas em diárias e tenta sobreviver. Estarrecida, a coletividade assiste, impotente, o presidente da Câmara dos Deputados – segundo na linha de sucessão presidencial, sucedendo ao vice-presidente, em caso de impedimento ou vacância do cargo de presidente da República – deitar e rolar ditando o que deve e o que não deve ser votado naquela Casa fazendo uso de suas prerrogativas imperiais, ainda que constitucionais. Meu Deus!

E “la nave? Va… pro fundo”!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)