Não somos a SueciaEstive a ponderar sobre como manifestar meu inconformismo diante de decisão de Dilma – e do Congresso Nacional, por tabela – de vetar, ela, e manter o veto, ele, a medida que estendia a todos os aposentados a política de reajuste pelo salário mínimo.

A medida faz parte do pacote que agrega outras tantas de um ajuste fiscal que o governo tenta aprovar desde o início do ano, sem sucesso, obrigando-o durante todo o período a alterar metas orçamentárias e de crescimento (?) iniciais com a ajuda de aliados no legislativo.

Os desmandos com os gastos públicos durante anos, as “pedaladas” fiscais tentando ludibriar até o Tribunal de Contas da União, a maquiagem de dados que não refletiam a realidade econômica gerando em uma população ignorante na matéria um falso otimismo, levaram o país ao caos em que se encontra. Nenhuma novidade.

Diante de fatos incontestáveis o governo vem trabalhando politicamente para, economicamente, tirar o país do fosso enviando a conta para o contribuinte pagar. O governo não faz a sua parte, mas parte para cima de “nosotros” com mais impostos de toda ordem e aumentos nos preços até então irresponsavelmente subsidiados.

 Penalizar os mais de 32 milhões aposentados pelo INSS – expressivos 16% da população – que contribuíram para sua aposentadoria depois de 35 anos de labuta é dar um tapa na cara de cada um deles. Como argumentação alega o Planalto que se a medida entrasse em vigor, haveria um impacto de 11 bilhões de reais nas contas públicas até 2019. Recursos suficientes para sustentar 14 milhões de famílias (50 milhões de pessoas) que sobrevivem com recursos do programa Bolsa Família durante seis anos…

Ainda inconformado, levanto algumas poucas questões que o governo não esclarece, não age e se finge de morto (mais morto do que já está) e que a população de todos os estratos sociais desconhece:

√ Por que juízes de todo o país, ministros do TCU – Tribunal de Contas da União – e procuradores junto ao tribunal recebem R$ 4.377,73 a título de auxílio-moradia mesmo morando em casa própria?

√ Por que os juízes auxiliares e instrutores que trabalham na Corte tiveram reajuste do auxílio-moradia passando de R$ 2.750 para R$ 3.384 (23%)?

√ Porque cada um dos 81 senadores tem direito a um carro “sedan médio”, terceirizado, com despesas integrais pagas? Além disso, porque o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem direito a mais três autos: um de representação de uso dos chefes dos Poderes, e dois utilizados pela segurança do senador?

√ Por que o STJ – Superior Tribunal de Justiça – precisa de 160 veículos, 2.741 funcionários efetivos e 1.018 terceirizados, totalizando 3.759 funcionários (mais de 100 por ministro!)?

√ Por que R$ 14,4 milhões – quase metade do valor dos gastos do governo federal com cartão corporativo que somam R$ 29,3 milhões entre janeiro e julho de 2015 -, saíram dos cofres públicos de maneira secreta?

√ Por que os presidentes da Câmara e do Senado tem direito a residências oficiais, luxuosas, na sofisticadíssima Península dos Ministros, em Brasília? Assim como os ministros da Fazenda, da Casa Civil e de Relações Exteriores, onde um imóvel na quadra custa, em média, R$ 8 milhões, com piscina, amplos jardins, vista privilegiada e Seguranças que se revezam 24 horas? Além de um “entourage” de funcionários domésticos, alimentação e manutenção tudo pago com o dinheiro público. Por quê?

Como a lista é por demais extensa e você pode até encontrar justificativas mil para tudo isso, mas os aposentados ultrajados com as medidas certamente não, pergunte-se por que na distante Suécia ministros, senadores e deputados não têm mordomias, não aumentam seu próprio salário, não tem gabinete próprio, usam transporte público, não possuem carro oficial, motorista ou um cortejo de assessores.

Ah! Ia me esquecendo: e por que será que o tratamento de “Excelência” foi abolido por lá, faz tempo?

Nesta altura dos acontecimentos quero deixar claro que não poderia ser – e não sou – contra “um” ajuste fiscal nas atuais circunstâncias. Mas não esse que aí está. A meu ver, se o governo partisse com seriedade e coragem para acabar com o quadro irresponsável de despesas impostas à máquina pública e demonstrasse disposição perante o mundo, perante investidores de peso ansiosos para dotar o país de infraestrutura decente gerando empregos e lubrificando a economia, estaríamos caminhando para uma solução definitiva por décadas. Estamos falando de credibilidade, artigo que não se compra!

Mas como não somos a Suécia….!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)