Estamos em guerra, acrediteO país não desconhece a existência do “mosquito da dengue” – o Aedes aegipti – responsável não apenas pela dengue, mas também pela febre chikungunya e o zika vírus. Medidas vêm sendo tomadas pelos diversos governos – dentro de suas limitadas verbas e limitados recursos humanos – para sair em campo inspecionando e combatendo os focos das doenças. Todas insuficientes!

O governo do estado da Bahia, por exemplo, criou um aplicativo para celular – “Caça Mosquito” – na tentativa de mapear zonas com focos do dito por meio de geolocalização utilizando o GPS do aparelho. Os usuários – que não precisam se identificar – podem fotografar e denunciar criadouros, em qualquer lugar e a qualquer hora. Os dados são transmitidos para os órgãos municipais competentes visando tomada de providências.

Claro está que, fôssemos nós um país altivo na educação de seu povo, e já teríamos a maior parte do problema senão resolvido, equacionado. Transferir a solução de gravíssimo problema como esse – já epidêmico – apenas para o governo é enxugar gelo no verão. Como falta-nos qualidade superior na educação de base, familiar e escolar, passamos a fazer mais parte do problema que da solução.

Seria desejável contarmos com mais campanhas educacionais, diárias, na televisão (como aquelas em época de eleições) ou com posts sugestivos nas redes sociais, de forma viral, estimulando crianças, jovens e adultos, a combater à epidemia já instalada. Adesivos em automóveis – alertando sobre nosso papel nessa guerra – poderiam ser considerados. Portais na internet fazendo uso de slogans alusivos ao combate da dengue por pessoas como eu e você poderia causar grande impacto. Como em um clima estabelecido de guerra, onde qualquer população nessas circunstâncias “se alistaria” para proteger o seu país, fazemos o chamamento. A transparência produzida por órgãos e instituições arregimentadas ainda parece ser opaca dando boas vindas a mais estímulos.

E, com tristeza, chegamos ao ponto de constatar, inacreditavelmente, que autoridades de saúde sejam obrigadas a recomendar às mulheres que não engravidem por conta do risco de seus bebes nascerem com microcefalia. Os milhares de casos da doença, comprovados, parecem não sensibilizar a população como um todo a fazer seu dever de casa, isto é, cuidar do seu pedaço com esmero e incentivar seus vizinhos a fazerem o mesmo.

É passada a hora de cada um de nós se perguntar: quão responsável sou – por ação ou omissão, direta ou indiretamente – por esta calamidade. A exemplo das melhores campanhas eleitorais é hora de envergarmos, todos, a bandeira da solidariedade, não denunciando, mas esclarecendo aos menos conscientes e esclarecidos a gravidade do momento que vivemos. Estamos em guerra!

Se tiver alguma dúvida informe-se sobre as estatísticas.

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)