Ao pé da letra, democracia é “um sistema político cujas ações atendem aos interesses populares”. Nestes tempos em que a economia brasileira se encontra depauperada por graça e obra de quem a vem conduzindo há anos – fragilizada em seu leito de morte por uma virulenta política suicida, epidêmica, que se alastrou por todos seus órgãos – a palavra mágica “democracia” vem sendo usada como um “abre-te sésamo” tanto pelos que a defendem como por aqueles que fingem fazê-lo. A virulência atingiu sem dó nem piedade toda a sociedade, colocando-a de joelhos, impotente, submetida a um organismo político instalado no poder por um poder maior: a corrupção!13demarço

Democracia não é um salvo-conduto que permite a qualquer governo agir e reagir de acordo com seus propósitos, quaisquer que sejam eles. Os que dela fazem uso em benefício próprio comungam com o velho provérbio italiano: “Dinheiro público é como água benta: todos põem a mão. ” Não por outra razão este país passa por uma admirável faxina jurídica, legal dentro dos preceitos, mas ainda longe de terminar. Somos privilegiados por vivenciarmos o momento histórico que se apresenta e que ensina aos mais jovens, futuros dirigentes desta nação, que a Justiça não é cega como querem fazer crer alguns, mas que é apenas representada com os olhos vendados para demonstrar a sua imparcialidade.

Difícil negar-se que ao longo da história republicana existiram conluios entre representantes do Estado e agentes da vida civil ou militar. Sempre os houve em maior ou menor grau. A diferença para os dias de hoje está na magnitude, amplitude, dos tentáculos de um projeto que se desvela aos olhos do país e da comunidade mundial em clara constatação da existência de uma ousadia política inédita e, paralelamente, de uma Justiça que se faz presente, atuante, jamais vista em tempo precedente.

Ultrapassamos, ao longo da história republicana, três ditaduras que se avizinhavam perenes e tiveram seus dias contados. Em todos os momentos que antecederam o colapso de instituições que feriram o Estado de direito neste país, a democracia falou mais alto em clara demonstração de sua forte presença no seio da sociedade.

No próximo domingo, dia 13, a julgar-se pelo noticiário, deverão ocorrer manifestações de caráter político em todo o país: democraticamente, assim espera-se, por aqueles que clamam por mudanças no “status quo” vigente e, em contrapartida, pelos que identificados com as políticas governamentais defendem suas posições.

O momento crítico, extremante delicado que vivemos, está a exigir de todas as partes envolvidas nas manifestações, discernimento para que o país possa dar uma demonstração inequívoca de seu amadurecimento político. Não apenas à sociedade brasileira, mas também e principalmente, à comunidade internacional.

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