Capítulo da HistóriaDesnecessário alertar aos navegantes que o mar está revolto, com ventos de velocidade subsônica, bússolas girando loucas. Os vagalhões, que se sucedem interminavelmente, assustam até os mais intrépidos marinheiros.

Do alto da popa, gritos em alto e bom som, por exemplo, já ecoaram: “o STF Supremo Tribunal Federal – instituição maior da justiça brasileira, está acovardado”; “já que os homens não têm c… vamos ver se uma mulher (ministra Rosa Weber do STF) resolve o assunto”; “o ministro da Casa Civil que fale com seu colega da Fazenda, Nelson Barbosa, para interceder junto à Receita Federal e resolver o problema”. Tudo isso e muito mais – que o espaço aqui não permite relembrar – de quem?  De um ex-presidente da República – aguardando manifestação do STF – sobre sua nomeação, às pressas, para ministro da Casa Civil, nomeação ainda sub judice. Razão? “Eu tô mandando o ‘Bessias’, junto com um papel, pra gente ter ele. E só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse.” De quem? Da criatura do primeiro.

Com processo de impeachment da presidente da República correndo solto, o governo também correu para reativar seu balcão de negócios e abrir seus cofres, aberta e declaradamente. Corrupção ativa de um lado, passiva de outro!!! Isto, por parte de um governo que bate na tecla que “não vai ter golpe”. Para sorte deste mesmo governo – e felizmente – não vai mesmo ter golpe, eis que se fossem outros os tempos, de nefasta memória, a História poderia estar sendo escrita de forma distinta.

Qualquer que venha ser o desfecho desse imbróglio, criado pela criatura de Lula, não vejo com tranquilidade o futuro do país. Receio que com ela ou sem ela, as paixões em andamento venham a se exacerbar com consequências imprevisíveis. Os mais atentos aos acontecimentos facilmente percebem que somos uma nação carente de líderes que possam preencher o vácuo a ser deixado em caso de impeachment de Dilma.

Permanecendo a senhora, difícil acreditar-se que possa ela restaurar a governabilidade diante da mais absoluta falta de credibilidade política e econômica junto a investidores locais e internacionais. A previsão do FMI – Fundo Monetário Internacional – para a queda do PIB brasileiro deste ano (-  3.8 %) –  realidade idêntica à de 2015 – e projeção de crescimento nulo em 2017, pode vir a ser a pá de cal nas expectativas do mais otimista dos brasileiros.

Confiemos, no entanto, que Lula não venha a, novamente, e a depender dos resultados de domingo, incitar seus adeptos clamando – como já o fez em passado não muito distante – que se necessário for chamará o Stédile (líder do MST) a “colocar seu exército nas ruas”.   

O povo brasileiro é, por natureza, pacífico. Confiemos em sua sabedoria, permanecendo na expectativa de que, miraculosamente, possa surgir neste momento difícil alguma liderança capaz de recolocar este país na rota, apesar da tempestade.  Não custa sonhar!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)