SobriedadeDomingo passado assistimos a um deplorável espetáculo circense – apresentado sem nenhuma pompa nem circunstância – no plenário da Câmara dos Deputados em Brasília. Votava-se a admissibilidade de impeachment da presidente Dilma, em clima mais de feira que de reverência, em que pese ser a Casa – pertencente ao Congresso Nacional – abrigo dos representantes do povo.

O momento, histórico, merecia comportamento condizente com uma sessão que deveria se apresentar solene. O que se viu, no entanto, foi uma turba com inúmeros deputados e deputadas querendo aparecer na televisão por um minuto de gloria; a maioria manifestando-se em tom patético e caricato.

Foi uma oportunidade rara – para os que se deram à “pachorra” de acompanhar o espetáculo – de conhecer um pouco o perfil dos eleitos pelo povo para representá-lo. Não foram poucos os que mal dominam o vernáculo com propriedade e se atreveram a abrir a boca para despejar loas à família, à sua cidade, seus amigos faltando apenas os cães de estimação. Cenas ridículas, dignas de republiquetas sem expressão!

O governo sofreu fragorosa derrota no primeiro turno da contenda – apesar de todas as manobras e uso pesado da “máquina” e da caneta. O resultado pareceu representar o anseio de significativa parte da população depois de idas e vindas – antes do jogo – quando predominavam as conversas de vestiário. No returno, se o clima assim o permitir, o jogo é outro. Com terreno encharcado, em outro campo, de menor espaço, sujeito aos humores de juiz a ser emprestado pela entidade maior, o resultado final é incógnita. Jogo valendo a Taça!

Decisiva, a peleja em campo minado não deverá contar com a fragilidade do adversário no primeiro turno. Muito pelo contrário. Mas, enquanto isso e como diz ditado, estaremos a matar um leão por dia, comendo da mão para a boca, com um olho na missa e outro no padre.

Até lá, com ou sem impeachment, a neblina baixou pesada no campo. Difícil identificar quem veste a mesma camisa para descobrir também – sem volta – se o juiz, já conhecido, possui lá suas preferências clubistas ou não. E assim, vamos acompanhando nosso time sendo treinado sem técnico, com o auxiliar fazendo as vezes de e comissão técnica torcendo para não perder o emprego.

Como o mercado não oferece opções fidedignas, torcedores na arquibancada e nos camarotes aguardam o momento de dar vazão às suas emoções. Uma pena que não se trate de seleção brasileira (não esta que aí está, por seguro) onde irmanados vamos todos para as ruas depois de conquistado o “Caneco”.

Começou o returno. Que a sobriedade seja protagonista. 

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