Senhores passageirosA semana está sendo marcada por pousos e decolagens na política. Muitos dos voos, sem escalas, com viagens programadas apenas de ida. Outros, com escalas obrigatórias, ainda seguem rotas conhecidas apenas até a próxima aterrissagem. Há algo mais no ar que os aviões de carreira…

Isto faz-me recordar que a partir de meados do século passado a aviação, de um modo geral, e aquela comercial em particular, passou por transformações profundas face ao desenvolvimento tecnológico na aeronáutica. Poderia listar aqui o imenso número de empresas aéreas, com bandeiras brasileira e estrangeiras, que foram literalmente para o espaço. Há quem ainda se lembre da portentosa VARIG, por exemplo, imbatível mundialmente pela qualidade de seus equipamentos e serviços. Nem ela foi poupada pela mudança dos ventos.

Nos ares de Brasília, com controladores do tráfego um tanto atônitos – e até meio perdidos dado o súbito congestionamento do espaço aéreo político – a semana inaugura uma nova fase do setor meio ao turbilhonamento em céu longe de ser de brigadeiro (com o devido respeito…). A torre de controle, ainda sob navegação nas mãos de muitos da velha guarda, vai merecer cuidadosa e inequívoca atenção para evitar choques que venham a comprometer a eficiência e segurança dos voos. A conferir.

Bem poderíamos voltar a voar com a tranquilidade de tempos idos, quando se viajava em poltronas confortáveis, espaçosas, serviço de bordo de qualidade, onde o “overbooking” era desconhecido e as portas das cabines dos pilotos sem tranca. Permitiam mesmo, à época, visitas que transformavam viagens em prazer e aculturamento.

Difícil voltar-se no tempo. As viagens ficaram mais seguras, mas mais preocupantes pelas incertezas de atos desvairados e insanos de muitos. Contrariamente ao proporcionado pelo desenvolvimento tecnológico dos mais pesados que o ar, nosso mundo político enfrentará condições meteorológicas turbulentas. Passageiros de todas as classes, no entanto, confiam que comandantes e copilotos, pessoal de manutenção e de apoio em terra, estejam preparados para colaborar – de peito aberto – com a nova empresa que se propõe mais eficiente e segura.

Mais eficiente, respeitadora dos preceitos legais, que permita levar — com segurança – passageiros e tripulantes aos seus destinos em poltronas confortáveis, serviço de bordo de qualidade, cabines para abrigar a todos sem privilégios de classes, cientes das rotas navegáveis disponíveis. Desnecessário lembrar, contudo, que o comportamento dos passageiros a bordo deva ser civilizado a fim de não comprometer a segurança dos voos.

Boa viagem!  Esta não é uma gravação!      

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