Hora de relexão 1Desnecessário bater-se na tecla de que este país passa por momentos conturbados. Desnecessário lançar-se um olhar para fora e constatar, por razões distintas muitas e outras nem tanto, que o vento também não sopra a favor em países que não guardam qualquer semelhança com o nosso. Desnecessário imaginar-se, ainda, que os problemas vividos por aqui ou por qualquer outra parte do planeta poderão ser resolvidos por um passe de mágica, da noite para o dia.

Pessoas de bom senso não desconhecem esta verdade, mas não são poucos os que por interesses nem sempre elogiáveis se tornam aves de mau agouro preconizando, enxergando sempre, apenas dificuldades. Recusam-se a dar o benefício da dúvida àqueles que buscam – não raro com sacrifício próprio de suas vidas pessoais – a dar o melhor de si e de seu conhecimento na perseguição de soluções para os múltiplos desafios que inúmeros enfrentam: aqui e pelo mundo afora.

O mundo identificado como desenvolvido, se desenvolveu e enriqueceu às custas de solo rico, alheio. Espoliou as riquezas de países que – além de terem sido usurpados em seus direitos – são mantidos na miséria com suas populações passando fome, frio e sede. Hipocritamente, se aliaram a regimes despóticos por interesses meramente econômicos ou militares.

O êxodo de famílias inteiras, fugindo de regimes políticos indignos da convivência humana, na África – mas apoiados financeiramente por potências – nos revelam, diariamente, a tragédia de como enfrentar a morte, literalmente, na perseguição à vida. A Europa, em franca mutação de seu perfil social, procura encontrar soluções para equacionar o problema de forma corretiva e não preventiva. Difícil reconhecer-se, portanto, outra causa para tamanho desequilíbrio mundial no âmbito sócio-político-econômico, que não seja a do poderio econômico arraigado por países e pessoas igualmente.

Os problemas conjunturais nacionais, por outro lado – dada sua extrema gravidade – estão a merecer medidas corretivas que exigirão o esforço de todos, sem exceção, rapidamente. Medidas que tentem evitar o desmoronamento das instituições, que sejam absorvidas politicamente a nível suprapartidário, economicamente compartilhados pela sociedade.

À beira de um abismo qualquer mão é salvadora. Não importa se é de um negro, um branco, um cristão, ateu ou agnóstico. A superação dos problemas que há tempos enfrentamos, alguns inéditos em nossa História, está a exigir uma reflexão de todos: sociedade civil, políticos, militares, na busca do melhor entendimento que permitirá ao país retomar seu desenvolvimento. Pondere!

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