faxina-geralO perfil de nossa população – e sua baixa escolaridade – tornam os assuntos política e economia enfadonhos para a maior parte desse contingente. Tomam conhecimento – vagamente e pela TV – sobre ajuste fiscal, inflação, custo de vida, um “tal” de PIB, taxa de câmbio, desemprego, comércio exterior, sem saber exatamente do que se trata. Como consequência, o cidadão comum tem sua opinião formada pela mídia e conversas informais.

A campanha para deputado federal de Tiririca na primeira vez, em 2010, tinha como slogan “Pior que está não pode ficar”. Enganou-se. Ficou. E foi eleito. E reeleito!

Não surpreende, portanto, que o foco das discussões que comovem o país no momento esteja embaçado por escândalos vários: a quebradeira de estados e municípios com o Rio de Janeiro capitaneando, a tentativa de anistia ao caixa 2 de congressistas corruptos, ministro de Estado comprometido em conflito de interesses na Bahia, a inconcebível sustentação de um presidente do Senado com 12 inquéritos nas costas (oito apenas na Lava-Jato) tramitando no Superior Tribunal Federal – vários “dormindo” lá há anos -, maracutaias (R$ 220 milhões) do ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral. A lista é infindável.

O deprimente quadro enfrentado pelos 23 milhões de desempregados, incluindo – se 25.7% dos jovens entre 18 e 24 anos, deixa clara a realidade brasileira.  Descortina a política econômica irresponsável e populista dos últimos anos que deixou o país no estado em que se encontra hoje: catatônico.

Enquanto a discussão (política) gira em círculos, congressistas e governos não se atrevem a botar o dedo na ferida de suas vergonhosas mordomias: vencimentos camuflados, automóveis, motoristas, apartamentos funcionais, passagens aéreas, almoços, jantares e despesas outras no cartão de crédito corporativo, aposentadorias e planos de saúde vitalícios pagos por nós, semana de dois e meio dias, férias de mais de dois meses, recessos parlamentares pagos. Um descalabro!

Utopia esperar-se que os que hoje lidam com a “coisa pública”, desde Brasília, venham a encontrar uma saída honesta para o país. Não vão! Como já afirmou Ambrose Bierce (escritor) no século XIX, parecendo ter razão: “A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares”.

Assim, para desmenti-lo, cabe à sociedade civil consciente (imprensa saudável, inclusive) escancarar – sem trégua e desde já – a realidade política brasileira para os menos avisados. E ansiando por uma faxina geral e irrestrita em 2018.

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)