A Justiça brasileira é uma grande esfinge a ser decifrada.

Seu lado visível é aquele em que se apresenta morosa e injusta para com os pequenos sem bonança bancária, mas eficiente e ágil para aqueles que conseguem “habeas corpus” nos fins de semana e feriados.

Sábado, dia 29 de abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) – mediante decisão liminar – determinou a soltura do ex-poderoso Eike Batista,indiciado por juiz federal pelos crimes de “corrupção ativa, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização
criminosa”.

Sua Excelência alegou “constrangimento ilegal” ao empresário e que os fatos foram cometidos entre 2010 e 2011 e, portanto, “consideravelmente distantes no tempo da decretação da prisão”. Pode acreditar!

Registre-se que pedido feito por advogados de Eike Batista já havia sido negado, na semana anterior, pela ministra Maria Thereza de Assis, do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Julgo-me uma pessoa razoavelmente bem informada, interessada em acompanhar acontecimentos no país e no mundo, entendê-los na medida do possível. Mas…

Terça feira, dia 2, fui surpreendido com a decisão dos ministros da 2ª Turma do STF revogando a prisão do ex-ministro José Dirceu e determinando sua imediata libertação. Dirceu já foi condenado duas vezes na Operação Lava Jato (pelo Juiz Sergio Moro)

Votaram favoravelmente três dos cinco ministros: Dias Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes. Vencidos os ministros Edson Fachin e Celso de Melo que votaram pela manutenção da prisão. Guarde estes nomes.

Foram usados como argumentos para libertar Dirceu “o fato de ele já ter sido condenado em dois processos e que seria improvável que conseguisse interferir nas investigações por meio, por exemplo, da ocultação de provas ou intimidação de testemunhas”. Papai Noel existe!

E assim, Eike já está em sua mansão. José Dirceu, livre, nem teve que se dispor a fazer acordo com o MPF (Ministério Público Federal) visando uma delação premiada e redução de suas penas. Manteve a boca fechada e pacientemente aguardou pelo atalho.

Será que o MPF poderá vir a contar com a participação de novos “colaboradores” após exemplo dado por José Dirceu – o homem mais poderoso da política brasileira depois do Lula -, ou a fila vai andar?

E o destino da Lava Jato? Passa a ser uma incógnita?

Sua ação implica em lesão ou ameaça à Constituição Federal?

Quanto ao Davi – Juiz Sérgio Moro – terá fôlego para enfrentar os Golias que habitam o Palácio do Planalto, acobertados sob o manto do Congresso Nacional e alguns incorporados como ministros do Superior Tribunal Federal?

Estaria o Brasil sendo passado a limpo ou…borrado?