É notório que, na imprensa, articulistas e repórteres optam por seguir uma linha que atenda suas convicções políticas ou de seus empregadores. As matérias produzidas – muitas com maestria – fazem uso de artifícios que podem dar à redação sentido ambíguo ou evitando expor com clareza e precisão o intuito da mensagem para iludir o leitor.

Foi o caso de uma jornalista – em engodo explícito – ao afirmar que 89 milhões de eleitores não votaram no candidato Jair Bolsonaro à presidência da República. Meia verdade, eis que: 147mi (eleitores) – 42mi de votos (nulos, abstenções e em branco) = 105mi (válidos). Destes, 58mi foram para o presidente-eleito e 47mi para o candidato do PT. Ponto final. Mas adotando o critério da autora, teriam sido 100mi os que não votaram no PT! Ou seja, 147mi (eleitores) – 47mi (em Haddad) = 100mi. Quem com ferro fere…

Em gesto-surpresa, no início da semana passada o presidente-eleito convidou o Juiz Sérgio Moro para ocupar a Pasta do Ministério da Justiça. A indicação de Moro – que aceitou o convite – provocou de imediato reações várias pró e contra sua futura nomeação, algumas contundentes. Tanto no Brasil como no exterior.

O Congresso, com vários legisladores “ancorados” no foro privilegiado, não bateu palmas pela decisão, enquanto a oposição ao futuro governo se arregimenta para levantar questionamentos sobre a isenção do ainda juiz na condução da Lava-Jato e consequente “status quo” de Lula.

Registre-se que Lula foi condenado pelo juiz Moro a 9 anos e seis meses de prisão em julho de 2017 – data muito distante do início da campanha eleitoral (16 de agosto de 2018). Quem confirmou a condenação do ex-presidente, em segunda instância, foi a 8º Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em 24 de janeiro de 2018. E mais – por unanimidade – aumentou sua pena para 12 anos e 1 mês de prisão com início em regime fechado. Alguma ilegalidade?

A imprensa mundial também se manifestou sobre o convite com insinuações infundadas umas e assertivas duvidosas outras. E membros críticos do Judiciário brasileiro não pouparam a decisão de Moro deixar a Magistratura depois de 22 anos de brilhante carreira para servir ao país em outra esfera. Demonstração de altruísmo!

Assim, há que se acreditar, pois, na primeira impressão deixada pelo novo governo na composição de um ministério que deixa as portas abertas à confiança que nele devemos depositar, sem qualquer preconceito. Fato, não fake!

“É prudente aquele que não confia mais em quem o iludiu uma única vez; mas será injusto não confiar em mais ninguém porque foi iludido por outrem.” (Sri Ramakrishna)

 

 

 

 

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RAdeATHAYDE