Vossa Excelência, apesar de ter sido paraquedista durante sua vida militar. não caiu de paraquedas na cadeira mais importante da República, a de presidente deste país. Foi colocado lá por mais de 57 milhões que acreditaram em suas propostas para tornar mais digna a vida de todos os que confiaram – e não confiaram – em sua visão de governo, missão e valores.

Semanas atrás, em artigo escrito, tentei defendê-lo da “blitzkrieg” (rápida campanha não militar, maciça) produzida por significativa parte da imprensa que divulgava apenas os acontecimentos diários do verso de sua moeda, não de seu anverso. Devo confessar-lhe que, não raro, com razão fundamentada! Sem boa vontade e alimentada por não poucos desacertos seus, de familiares ingênuos e escolhas (algumas) equivocadas para composição de seu ministério, articulistas ácidos, sobejamente conhecidos, têm sido supridos por farta munição, dentro de uma logística que lhes caiu (e cai) como uma luva.

Em passado recente sugeri-lhe como cidadão – e seu eleitor então esperançoso – que se cercasse de conselheiros externos ao governo: homens e mulheres com visão e experiência, vida empresarial e intelectual internacional, impoluta, de sucesso comprovado, para compor com seu ministério. Não são poucos os governos de primeiro mundo que assim agem. Mas parece que a estrutura do seu se basta apesar de tantas as dificuldades encontradas: de todos os tipos e matizes de opinião!

Causa perplexidade o fato de não haver ampla exposição, coordenada, dos feitos do seu governo nestes primeiros meses desde a posse em janeiro. Realizações que avancem além de formais declarações. Ou não há o que declarar? Com 22 pastas ministeriais, sendo 16 ministérios, duas secretarias e quatro órgãos equivalentes a ministérios é improvável que absolutamente nada tenha sido atingido. A sociedade ignora os sucessos já obtidos – se é que os há – eis que, basicamente, só tem acesso ao que a grande mídia tem interesse em divulgar. E o que temos assistido não é nada favorável à imagem do seu governo. Além disso, alguns valores (?) aparentemente defendidos são absolutamente preocupantes.

Presidente: neste momento conheço pouquíssimas pessoas que endossam plenamente sua atuação. Pessoas que depositaram seu voto na urna fazendo a diferença. Assim, um mea-culpa nesse início de gestão, com muito embate por enfrentar, talvez possa render-lhe – e ao seu governo, lá na frente – a recompensa que, espera-se, possamos alcançar.

A verdade parece ser que, no pasto, uma vaca magra olha desconfiada para o brejo.  O céu não é de brigadeiro e nem o mar de almirante.

A ponderar!

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