Anuncia-se, em enormes outdoors, a realização de um “Rodeio e Modão” na Cidade das Flores, em outubro próximo, sob o slogan “Resgatando a Tradição” (???). Nada mais distante da tradição que o Brasil conhece – e reconhece – Holambra como o maior centro de produção de flores e plantas ornamentais da América Latina.

Nascida da colonização holandesa desde os idos de 1948 e elevada à categoria de Estância Turística em 1998, os turistas que a visitam são agraciados com uma cidade bem cuidada que em muito lembra suas origens pela arquitetura, danças folclóricas, sítios de produção, campos de flores, eventos internacionais como a Expoflora, Hortitec, Enflor, Garden Fair, Trekker Trek, Gincanas, Corrida do Rei, mantendo ilesa sua imagem agrícola e influência cultural.

A tentativa de realizar um “rodeio e modão” em nossa cidade – espetáculo que contrasta com tudo que Holambra tem a oferecer aos seus moradores e a turistas brasileiros e internacionais – chega a chocar a população residente de 15 mil habitantes. Cidade pacata, ordeira, com níveis de segurança elogiáveis, um evento dessa natureza – além de trazer momentos de incerteza para a tranquilidade de toda a população – acarretaria enorme desconforto para os idosos que habitam em seu Centro Social Holandês e coabitam na Casa-Mãe no mesmo local. O Posto de Saúde localizado em frente não raro faz as vezes de hospital exigindo silêncio para os enfermos. Como conviver com os níveis elevadíssimos de som e movimentação que transtornariam o sossego de todos os habitantes da cidade? Uma desumanidade e desdém pelo próximo!

Desde 1947, quando foi realizado o primeiro rodeio na cidade de Barretos, a prática se difundiu pelo país. Verdade que aumentaram as proibições em vários municípios Brasil afora como em Espírito Santo do Pinhal, Araraquara, Santo Antônio do Jardim, Sorocaba, Taubaté, Bauru, Cravinhos, Descalvado, Mogi das Cruzes e mais duas dezenas deles só no estado de São Paulo.

Em alguns países, onde o rodeio é realizado, existem algumas críticas considerando que os animais podem sofrer maus tratos. No Brasil, essas alegações são rebatidas pelos organizadores e competidores que ressaltam a presença de veterinários para assegurar o bem-estar dos animais… Segundo reportagem da revista Superinteressante e defensores dos animais os rodeios são uma prática cruel!

E alerte-se para o fato de que os rodeios continuam em desacordo com o artigo 10º da Declaração Universal dos Direitos Animais da UNESCO!

Argumentos para ferir a realidade são, por exemplo, que a Festa do Peão de Barretos injeta R$ 400 milhões na economia regional e gera 15 mil empregos, diretos e indiretos. E, segundo promotores dos eventos, “o que deve ser proibido é o maltrato de animais nesses eventos”. Ora, se é preciso proibir… Sem comentários!

Urge, portanto, que a autoridade municipal maior reveja a concessão de alvará para realizar evento que Holambra dispensa por razões humanitárias, em todos os sentidos. São inúmeros os exemplos em que a cidade é lembrada como modelo, civilizada, acolhedora. Que assim permaneça!

“Um dia, certamente as futuras gerações vão achar esta prática (rodeio) tão absurda quanto hoje imaginamos pessoas nas arenas com leões”. (Ativista e pedagogo Max Macedo)