Existem momentos em nossas vidas, não poucos por certo, que oferecem a oportunidade para reflexões mais profundas, permitindo uma mudança de sintonia e, não raro, exigindo de nós aquela postura de coragem para reconhecer e aceitar verdades escondidas nos recônditos da alma. A perda de um ente querido, de um amigo, de alguém que nos fará falta, por exemplo, são oportunidades que surgem – como se hora da verdade fossem – levando-nos, quem sabe, a um “mea culpa” tardio.

Oportunidades perdidas visando uma eventual reconciliação, o reconhecimento da ausência em momentos críticos quando deveríamos estar presentes, a eterna postergação de um encontro… por falta de tempo.

A questão maior é: por que agimos assim? Via de regra somos comodistas, não poucos carentes de coragem para enfrentar situações desagradáveis de eventual confronto, de receio à exposição a uma verdade intimamente reconhecida e, até mesmo, imbuídos de uma soberba que um dia será largada para trás.

Ao iniciar todas essas ponderações me perguntei se não estaria, apenas, generalizando e colocando em evidência minhas dúvidas e equívocos cometidos ao longo da jornada. Não mencionei, com todas as letras, a palavra arrependimento que, ao final, é sobre isso que estamos tratando.

O mais incrível, quer me parecer, é que passado um tempo – fator que tudo apaga, ainda que não de forma indelével – perpetuamos o mesmo comportamento relaxado. O dia-a-dia nos coloca em uma frequência de “vai ser bom, não foi?” mergulhados em um atoleiro de preocupações e distrações que se sucedem vertiginosamente; até que, mais tarde na vida, quando inevitavelmente desaceleramos, o tempo começa a sobrar permitindo que nossas penitências possam ser honradas.

Mas aonde isto tudo nos leva? Com exceções, somos seres sensíveis. Ainda que muitos posem de durões, quando eventualmente sem saída para alguma situação, desmoronam emocionalmente em uma demonstração de que, no fundo, no fundo, apesar de nosso DNA diferenciado, somos todos fundidos da mesma matéria.

E, todos, dependentes uns dos outros, de uma ou outra forma, inquestionavelmente. Sem choro nem vela!

Ao terminar de ler este texto você, em questão de segundos, dependendo de sua sensibilidade, poderá estar se “conectando” em algo diverso. E, quem sabe, julgar-se aquele felizardo que ao longo de sua vida jamais precisou de ninguém para nada. Bem, estou exagerando um pouco, pois esse cara ainda não nasceu.

De qualquer forma, se precisar, conte comigo (dentro de minhas limitações).

Tenha um ano pródigo!

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RAdeATHAYDE