Distante dos bancos acadêmicos há muito e do convívio próximo com a heroica tropa de choque à frente nas salas de aula, apresento-me como mero espectador do “status quo” da Educação via interpretação de notícias pela imprensa.

Em plena Era da Revolução Tecnológica, com o surgimento de novas profissões e encaminhamento para a aposentadoria de outras tantas, percebo esforços aqui e ali por parte de algumas instituições de ensino visando adequar currículos e ensinamentos buscando dotar o “mercado” de profissionais aptos a enfrentar os novos tempos.

A globalização do conhecimento vem produzindo impactos cada vez maiores no desenvolvimento dos países e, por consequência, em suas Economias. Inexorável a correlação entre estes dois fatores!

Diante desse quadro realista, acredito que por aqui – talvez por minha desinformação – a maioria dos jovens em vias de escolherem uma profissão, ao tornarem-se vestibulandos, o fazem em critérios e convicções que desconsideram suas aptidões pessoais.

Estaria a formação acadêmica de um jovem ao se graduar – anos mais tarde – compatível com sua personalidade e temperamento? Entendo que ao talento inato, a vocação agrega as duas condições mencionadas em uma simbiose perfeita para a realização pessoal e profissional de qualquer pessoa. Caso contrário, em momentos críticos da carreira o desajuste irá desabrochar. Principalmente dentro da atual dinâmica!

Com as profissões, antigas e novas, em mutação acelerada, indaga-se: estariam os formandos de hoje – depois de quatro, cinco ou mais anos de estudos – qualificados, integralmente, para enfrentar o que empresas e o mercado deles esperam para compor suas frentes e vencer neste mundo altamente competitivo?

O cenário exige mais que puro conhecimento. Estamos vivendo em uma Era de transformações profundas não apenas na formação profissional, mas principalmente na esfera dos anseios pessoais com forte impacto no desempenho profissional. O tripé vocação, personalidade e temperamento, aliado à formação profissional torna-se, a meu ver, fundamental para a sobrevivência em tempos cada vez menos previsíveis. O perfil das profissões qualificadas (e não) – por conta da rápida evolução tecnológica – envelhece rapidamente exigindo readaptações profundas sem as quais empregos e oportunidades simplesmente ficarão pelo caminho.

E fica a pergunta: a busca pelo conhecimento nos cursos superiores é o alimento que irá saciar a fome do saber para uma formação profissional consciente e compatível com seu perfil ou, ao contrário, a gula que irá desencadear uma indigestão mais a frente?