A postura do Presidente da República em não permitir – inicialmente – que brasileiros residentes em Wuhan – província de Hubei – China, berço maior do coronavírus, pudessem ser de lá retirados, deu uma demonstração clara de nosso despreparo para enfrentar calamidades.

Estados Unidos, Japão e Australia já resgataram nacionais através de voos fretados colocando em quarentena casos isolados de suspeita e pouquíssimos infectados. Reino Unido, União Europeia e Coreia do Sul planejam fazer o mesmo nesta semana. O Brasil, por decisão de seu presidente, argumentando, então, não poder colocar em risco uma população de pouco mais de 200 milhões de pessoas, não se deixou influenciar pelo número de habitantes dos Estados Unidos: 327 milhões.

Poder-se-ia argumentar que as condições sanitárias do mais poderoso país do planeta são de primeiro mundo. O Japão com sistemas educacional e de saúde de ponta garante o atendimento médico para qualquer pessoa, inclusive aos moradores de rua. Já a Australia possui um serviço público de saúde também conhecido como Medicare, que é universal e garante cobertura para todos os cidadãos australianos.

Um país de dimensões continentais como o Brasil, quinto mais populoso do mundo, sem ter seu território jamais ameaçado por guerras desde o século XIX (Guerra do Paraguai), vem tendo seu desenvolvimento e saúde travados por políticas desastrosas desde os tempos do Império.

Não surpreende, pois, que tenhamos uma medicina de ponta por um lado, e uma assistência pública de saúde na rabeira, com tristes exemplos como os vividos no Rio de Janeiro. Ressalte-se, no entanto, o trabalho hercúleo desenvolvido pelo sucateado SUS e seu corpo médico com tratamento integral gratuito para toda a população.

O desmonte dos serviços públicos de saúde faz sofrer enormes prejuízos para o sistema e em nada contribui para o enfrentamento do coronavírus – que pode chegar até nós – prejudicando ainda mais o trabalho de vigilância sanitária e controle epidemiológico.

Com o olhar de um leigo – e à distância – quero crer que o SUS seja o único organismo capaz de enfrentar uma eventual epidemia no país. Compete ao governo, reticente, abrir as “burras”, combatendo o mercantilismo na medicina, correndo a frente daquela que pode vir a se tornar uma calamidade. Da quarentena à morbidade!

O SUS é competente! Os mercantilistas estão à espreita!