O ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve na berlinda semana passada após se referir aos funcionários públicos como parasitas. Nenhuma premonição sobre o filme ganhador do Oscar este ano, Parasita. Ou será que sim…?

O tema abordando o abismo existente entre os dois universos, iniciativa privada e o serviço público, é antigo suscitando paixões e argumentos que não raro levam a manifestações como a do ministro.

Em um país com desigualdade social abissal – que não é privilégio nosso, registre-se – transborda o admissível e o razoável a distância que separa cidadãos que, no mínimo, estão preparados academicamente (muitos, mas não necessariamente todos) para atuar em ambas as esferas. Não seria exagero, portanto, conceitua-los como cidadãos de classes diferentes. Como que separados por um muro.

De um lado estão os que perseguem uma carreira que ofereça estabilidade no emprego (garantida pela Constituição) até a aposentadoria (inclusive para bibliotecários e faxineiros) e inúmeras vantagens (algumas estratosféricas). Do outro, os que optam pelo setor privado, de altíssima competitividade, onde privilégios contemplados no modelo público – se abraçados pelo setor – levariam qualquer empresa à bancarrota.

Como não existe crise que atinja o setor público e seus funcionários (630 mil), por mais grave e abrangente que seja, seja ela de natureza econômica ou política, a tranquilidade de sentir-se blindado no emprego não deixa de ser um enorme atrativo para os que optam por carreiras sem enfrentamento de desafios e incertezas.

Com regime previdenciário próprio – nada de INSS – generoso no cálculo de aposentadorias, licenças-prêmios, adicional por tempo de serviço bem como reajustes salariais periódicos, o atrativo da carreira pública não deixa de ser um poderoso bálsamo.

Certamente não é pequeno o número de servidores dedicados na complexa estrutura do serviço público, em que pese a blindagem constitucional que lhes garante o conforto da certeza do emprego. Certamente, também, que na iniciativa privada inexiste espaço para que todos, sem exceção, não sejam dedicados ao extremo pois seus empregos – do presidente ao faxineiro – são dependentes de resultados.

O valor do trabalho é algo difícil de se mensurar, mas no caso em questão os pesos na balança são danosamente distintos. Afinal, as atividades desempenhadas no serviço público pouco ou nada diferem daquelas na iniciativa privada.

Até porque os integrantes desta última contribuem – e muito – para a sobrevivência de seus congêneres do outro lado do muro.

Alguns são mais iguais que outros!!!