Uma história que certamente daria um livro encorpado. Vamos atravessando a existência por aqui coletando alegrias/tristezas, realizações/frustrações, júbilo/ decepções, todas deixando marcas, muitas indeléveis. Mais comumente do que se imagina, as pessoas procuram em exemplos alheios situações análogas às suas na busca por reafirmações ou compensações.

Ídolos são fruto de sucesso continuado, e espelhos de imagens para os que anseiam por uma identificação que lhes assegurem o conforto de se imaginarem integrados a grupos reconhecidos e aplaudidos.

Na sua história de vida, você certamente já serviu de exemplo para alguém, possivelmente alguns. Sem idolatria, mas com respeito e consideração por exemplos transmitidos até mesmo involuntariamente. Seja como “herói”, na figura do irmão mais velho, como pai, como profissional bem sucedido, como amigo respeitado por ser quem você é. Alguns poderiam argumentar não terem sido nada disso. Difícil acreditar que passemos pela vida ser termos sido, em algum momento – ou momentos – referência para alguém.

Veladamente, não são poucos os que guardam para si sentimentos em relação ao outro; sentimentos que poderiam servir de combustível para alimentar a auto imagem ou estima de carentes que, não raro, clamam por socorro, em silêncio. “Talvez no capítulo 18, página 115, de seu livro de vida…”, você possa encontrar uma reflexão feita sobre o tema, que ficou para trás, sem volta. Mas com tantas linhas a serem ainda escritas, oportunidades se apresentarão antes do epílogo de sua passagem por aqui.

A realidade é que estamos escrevendo nossa história de vida, dia-a-dia, e que poderá vir a ser lembrada (?) algum dia, quem sabe, no momento da despedida derradeira. Seria ela um “best-seller” com edição esgotada? Ou apenas um aglomerado de páginas com frases desconexas, encadernadas por respeito à imagem de seu autor?

Somos, todos, competentes para redigir com elegância e conteúdo a história de nossas vidas. Que o futuro nos faça justiça.