“Meu amigo, minha amiga, não se preocupe com o coronavírus. Porque essa é a tática, ou mais uma tática, de Satanás. Satanás trabalha com o medo e o pavor. Trabalha com a dúvida. Por trás dessa campanha toda de coronavírus existe um interesse econômico”. Palavras do bispo Edir Macedo da Igreja Universal do Reino de Deus. Enquanto isso, hoje, quinta-feira, 19 de março, a contabilidade de casos de coronavírus no Brasil bateu nos 529, todos confirmados. No mundo, mais de 200 mil com quase 9 mil mortes.

Já o presidente da República, ignorando as recomendações de prevenção contra a  pandemia do covid-19 pelas autoridades de Saúde, e depois de posar para a televisão dias antes portando máscara cirúrgica após revelação que seu teste foi negativo, postou-se, no domingo, junto a seguidores na entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília, tirando selfies com seus celulares, apertando mãos e afagos.

Um exemplo para avalizar a presença de massas ingênuas em praias lotadas, como no Rio de Janeiro, no último domingo, em irresponsável comportamento autofágico. Afinal, até o momento, morreram “apenas” 5700 pessoas infectadas em todo o mundo.

E o que se dizer dos protestos Brasil afora, contra a democracia e instituições como o Legislativo e o Judiciário, pregando a arbitrariedade? É verdade que nenhuma das duas instâncias merece aplausos por suas questionáveis condutas ao longo do tempo. Mas, daí, existe um abismo ao pregar-se o uso da força como solução para – despoticamente – impingir uma nova ordem. Afinal, a lembrança do uso da bota – e suas consequências – ainda está presente na memória de muitos.

A lembrança da epidemia da gripe espanhola que, entre 1918 e 1920 deixou mais de 50 milhões, repito, milhões, de mortos, após o fim da primeira guerra mundial, não faz apenas parte da história. Como então, e agora, uma constatação de que o ser humano não é super-humano, mas, sim, frágil como um cristal.

Constata-se, assim, a impressão de que existe, no país, um elefante dentro da cristaleira, que quando se move tudo quebra…

Infere-se que todas as pessoas são dotadas de massa cinzenta – uma camada externa ao cérebro, responsável pelo processamento das informações que recebemos e raciocinamos. Mas o comportamento de não poucos brasileiros – do inquilino do Palácio da Alvorada às praias – leva-nos a crer que estão todos carentes da matéria prima.