O assunto que domina o noticiário diariamente é a pandemia do covid-19. Com cerca de 75% da população respeitando o isolamento em casa e o restante por necessidade – ou descaso – expondo-se à contaminação, parece ser que ainda estamos distantes do “pico da curva” como definem os técnicos da saúde – o clímax do surto.

Em momento que exige cabeça fria por parte de autoridades governamentais e aquelas que respeitam a orientação técnica da OMS, embates de cunho político e culto à personalidade podem levar o país e sua população a uma derrocada social e econômica de custos incalculáveis. 

Manifestações de diversas fontes respeitáveis do universo vinculado à saúde parecem não encontrar eco em alguns dos segmentos envolvidos com o governo federal e parcela significativa de uma população de mais de 200 milhões de habitantes muitos vivendo em extrema pobreza sem recursos financeiros nem direito à salubridade ambiental digna.

“O mar está recuado, mas um enorme tsunami vem aí”, afirma Vânia Bezerra, superintendente de responsabilidade social do Hospital Sírio-Libanês”.

Segundo o Ministério da Saúde, o país já registra 667 óbitos em decorrência da doença e um total de 13.717 casos oficiais confirmados (o8 abr).

E um alerta do Diretor Executivo do Programa de Emergências Sanitárias da Organização Mundial da Saúde, Michael Ryan: “a saída do lockdown deve seguir ritmos diferentes em cada país e pode ser um desastre se não houver planejamento e capacidade técnica de monitorar a evolução dos contágios. O mais provável é adotar dois passos para frente e um para trás usando como termômetro a ocupação dos leitos hospitalares. Se a ocupação estiver chegando perto da capacidade, novas medidas de contenção de contágio são necessárias”.

Reconheça-se que o Brasil está sendo privilegiado por não ser o primeiro da fila a ser engolfado pela pandemia, contar com tempo para conhecer as experiências de países europeus atingidos, estar se preparando – a meu ver com brilhantismo – criando uma infraestrutura hospitalar de apoio e treinamento específico para atendentes de enfermagem, técnicos, enfermeiras, médicos e, não menos, ser abençoado com uma equipe do Ministério da Saúde digna de qualquer país do primeiro mundo.   

As cartas estão na mesa. Apesar das dificuldades – sendo e a serem enfrentadas ainda – o país e sua população emergirão desse momento mais conscientes de uma realidade que apesar de existente há séculos nunca mereceu ser vista como prioritária.

O rei está nu.