Sobre os números de mortes causados por coronavírus no país? “Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

E em passado recente: ‘Não sou coveiro, tá?”

Afinal, são apenas milhares de brasileiros mortos, de todas as classes sociais, penalizando mais as famílias menos privilegiadas.  

Manifestações como as acima – entre muitas mais que poderiam compor este texto – dispensam identificar o autor dessa insensibilidade. Afinal, considera-se cristão, identifica-se com fieis e igrejas, e invoca o nome do Senhor com frequência. Infelizmente, não possuo conhecimento médico para fazer um diagnóstico do caso.  

Mas quem está realmente preocupado com a insensibilidade do ser humano?

Seriam aqueles que saem a campo em estreita aprovação de suas atitudes e verbalizações que fariam corar um monge? Ou os que, angelicamente, grosseiramente cantariam em coro: “E daí?”

Desde o início do surto tropas de um exército compostas por abnegados, homens e mulheres, – profissionais da saúde – médicos, equipes de enfermagem, atendentes, maqueiros, fisioterapeutas, nutricionistas hospitalares, expõem suas vidas e as de seus familiares para salvar vidas alheias, seres humanos como eles, na tentativa de operar milagres como os inúmeros que tem ocorrido.

Não nos esqueçamos que da tropa dos abnegados fazem parte incansáveis coveiros, motoristas de ambulâncias, faxineiras de hospitais.

Muitos enfrentando o stress pela sobrecarga de trabalho, ansiedade e medo pela exposição acima do normal à covid-19. Esforços além de seus limites!

Um exército que partiu para a guerra armado de conhecimentos técnicos uns e profissionalismo outros, dignos de, no mínimo aplausos diários – como ocorre em boa parte do mundo. Mais que isso, merecedores do mais profundo respeito pelo desprendimento como enfrentam o inimigo sorrateiro diuturnamente.

Como ser humano, brasileiro, de família poupada da pandemia, vejo-me – indefeso – obrigado a assistir diariamente – com indignação – o vociferar daquele que brada aos quatro ventos “quem manda sou eu” , que age como se em um trono estivesse e olha para a população como se seus lacaios fossem, que não hesita – com menosprezo – “tacar” um “E daí?” em situações de profunda consternação.

Não estou a falar de política!

Estou a falar de humanismo, em um desabafo, talvez, que me poupe de vir a desacreditar nos meus semelhantes.

O Exército de Abnegados há de deixar o exemplo para que enfrentemos o inimigo explicito com galhardia!

Que assim seja!