Havia me proposto a não escrever sobre o caos instalado no país por conflitos de toda ordem. Desde manifestações habituais de quem deveria liderar diante das crises sanitárias às econômicas derivadas da primeira até a insurgência de militantes contra atos promulgados pela Organização Mundial da Saúde e orientação de epidemiologistas e infectologistas visando reduzir o elevado índice de mortalidade pela pandemia mundo afora. No momento em que digito, só no Brasil são mais de 12 mil óbitos e 170 mil casos confirmados.

Fico com a impressão de que existe uma orquestração conduzida por maestros de várias etnias com objetivos nada promissores para a democracia em seus países. Sugiro a leitura do link a seguir que se revela preocupante dados os fatos apresentados:https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/extrema-direita-usa-pandemia-para-recrutar-novos-adeptos-na-europa-e-nos-eua/index.htm.

Em tempos de quarentena para muitos, no entanto, momentos de reflexão se apresentam em quantidade e qualidade para os que optam por olhar em volta sem preconceito de qualquer natureza e atentar que estamos vivendo em um mundo que já não é mais o mesmo de outrora. Claro está que existem aqueles que resistem em usar máscaras para proteger seus semelhantes de contaminações e outros tantos que as usam para tapar os olhos vendando-os na crença de que as pitonisas de plantão mostrem as cartas neste perigoso jogo pela sobrevivência.

A mídia está infestada de artigos escritos e programas televisivos, ora defendendo posicionamentos de um lado, ora de outro. Como em marcha militar, quando em ordem unida, o comando pode ser direita, volver ou esquerda, volver. Não é preciso muita imaginação para pressentir que o problema maior para a sociedade surgirá mais tarde – não se sabe quando – ao cairmos na “real” e, quem sabe, encarar um “Admirável Mundo Novo” como previsto, em 1932, no notável romance do escritor, humanista e pacifista inglês Aldous Huxley.  

É possível que já neste momento não nos reconheçamos mais como a pessoa que éramos tempos atrás e que, com alguma percepção mais aguda, despertemos sobre como iremos nos comportar e reagir diante das transformações a enfrentar, eis que o ser humano é pouco afeito a sair de sua zona de conforto.

Assim, aproveitemos o tempo da transição para – todos os dias, não mais tarde – tomarmos consciência sobre como estamos reagindo – e adaptando – diante de cada admirável novo dia. Não deixará de ser uma experiência única, a ser vivida pelo aqui e o agora. 

A ponderar!