A pandemia causada pelo covid-19 tem levado significativa parcela da população mundial a adotar medidas de precaução visando sua proteção e daqueles em seu entorno. O que não expressa a realidade em muitos confins do Brasil, já que o drama vivido por outros países não parece exercer qualquer influência sobre o governo federal e pessoas de diversas raízes.

Algumas vozes, não poucas, se levantam clamando por redobrada atenção para o momento que estamos atravessando. Afinal, apenas por aqui, são quase um milhão e quinhentos mil casos de infectados e óbitos se aproximando de sessenta mil nesta data. As recomendações das autoridades sanitárias e OMS – Organização Mundial da Saúde – são “torpedeadas” por aqueles que por dever de ofício deveriam estar à frente do combate a um surto que é novo por sua mutação. Surtos distintos são conhecidos desde os tempos da Grécia antiga.

A título de ilustração, em Atenas, por exemplo, entre os anos de 430 e 428 AC, houve uma grande epidemia, descrita pelo historiador grego Tucídides e atribuída – imagine-se e tomemos como exemplo – ao aumento da aglomeração de pessoas em cidades e a circulação no mundo. E a partir de então diferentes surtos foram se tornando mais recorrentes. Mas cá estamos nós, agora, a escrever mais um capítulo dessa história. Pesquisa recente indica que apenas 12% dos entrevistados relataram só sair quando é inevitável, contra 21% em abril…

Lamentável que estejamos a assistir pela TV, todos os dias, o movimento e ajuntamento de pessoas em cidades de todos os tamanhos,  muitas desprotegidas de máscaras ou usadas de maneira inadequada,  e não poucas em busca do consumismo exacerbado que vem assolando as sociedades a partir de meados do século passado, após o fim da segunda guerra mundial.

O líder indígena e ambientalista Ailton Krenak, uma das vozes mais importantes no mundo em defesa do meio ambiente, dedicado à luta desde os anos 80, critica a ansiedade das pessoas de voltarem aos shoppings.  “Com tanta gente morrendo, estar preocupado com o que você vai comprar amanhã é muita pobreza”. E acrescenta: “trocamos nossa humanidade por coisas”. “Se a Terra adoecer, nós adoecemos junto”.

Vozes como as de Ailton bem poderiam soar forte nos ouvidos de muitos de nossos irmãos, ainda sobreviventes.

Para que assim permaneçam!