A história, verídica, passou-se durante a segunda guerra mundial.

Um bombardeiro B-17 da Força Aérea dos Estados Unidos, em zona de término de combate, com um artilheiro morto e outros seis tripulantes feridos a bordo, além de dois motores destruídos, escapa em direção à sua base quando se emparelha com ele, asa com asa, um caça, mas com a suástica pintada na fuselagem.

Os pilotos trocam olhares fixos. O piloto alemão faz um gesto com a mão sugerindo ao piloto americano que prosseguisse em seu caminho batendo continência, no que foi correspondido da mesma forma. A seguir, dá meia volta enquanto o americano continuou em seu retorno à salvação.

Guerras, como pandemias, sempre tem princípio e fim. Talvez, na cabeça de ambos os pilotos, após o gesto de respeito pelo outro, tenha lhes passado a visão de que terminado o conflito bem poderiam, por obra do destino – caso sobrevivessem – encontrar-se por acaso na Hofbräuhaus, mais famosa choperia de Munique ou visitando o Metropolitan Museum em Nova York.

Não menos conscientes de que – como militares treinados e cumprindo ordens – mataram muita gente do outro lado. Mas naquele momento único falara mais alto o ser humano, o respeito pelo outro que como ele deixara em casa uma família à espera de sua volta.

Pandemias, como guerras, tem sempre princípio e fim. Não há quem não seja afetado direta ou indiretamente por elas. Inúmeros os que sofrem perdas irreparáveis causadas por desvarios de homens encastelados no poder que em sua ambição desmedida se julgam acima do bem e do mal.

A história do “day after” vem se repetindo através da história e por isso, de tempos em tempos e por triviais razões – poder, ambição, fanatismo – a temperatura sobe, levando homens insensatos a fazerem a cabeça de milhares, milhões de pessoas, induzidas por máquinas de convencimento emocional quando não por ideias fratricidas, genocidas, racistas.

Passados os vendavais, a tormenta, os que se odiavam novamente se dão as mãos, sempre diante de novos tempos, por falta de opção ou interesses em curso.

E parodiando o gênio que foi, Charles Chaplin: “Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis.”

Minha homenagem aos pilotos dessa história! E à preservação da Vida!

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